O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta segunda-feira (27), que o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi “surpreendentemente bom”. A reunião ocorreu em Kuala Lumpur, na Malásia, durante o quinto dia da agenda oficial de Lula no Sudeste Asiático.
Em coletiva de imprensa após o encontro, Lula disse estar confiante na possibilidade de um acordo entre os dois países sobre o tarifaço de até 50% aplicado pelos EUA a produtos brasileiros. Segundo o presidente, o entendimento pode ser formalizado “em poucos dias”.
“Se depender do Trump e de mim, vai ter acordo”, afirmou o chefe do Executivo.
Lula também destacou que, a partir de agora, não haverá mais intermediários nas tratativas comerciais com Washington. O presidente reconheceu o direito dos Estados Unidos de aplicar tarifas a outros países, mas criticou a forma como a decisão foi tomada em relação ao Brasil.
“O que não pode é acontecer o que aconteceu com o Brasil, com base em informações equivocadas, tomar uma decisão de taxar o Brasil em 50%. Ele sabe disso, porque eu tive a oportunidade de dizer. Agora não tem mais intermediário — é o presidente Lula com o presidente Trump”, disse.
Bolsonaro “faz parte do passado”
Questionado sobre a relação entre Trump e o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que o antecessor “faz parte do passado da política brasileira” e que o atual presidente americano “sabe que rei morto, rei posto”.
“Disse pra ele que foi o julgamento [de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal] sério, com provas contundentes. Disse a gravidade do que tentaram fazer, do plano para matar a mim, meu vice e o ministro Alexandre de Moraes. E que tiveram um direito de defesa que não tive. Ele sabe que rei ‘morto, rei posto’. Bolsonaro faz parte do passado”, declarou Lula.
O presidente também comentou que, com o tempo, Trump perceberá a diferença entre os dois líderes:
“Em três reuniões que você fizer comigo, você vai perceber que Bolsonaro não era nada, praticamente”, afirmou.
Tensão entre EUA e Venezuela
Durante a coletiva, Lula também se posicionou sobre a crescente tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela. O presidente brasileiro disse estar preocupado com o agravamento do cenário e defendeu que a América do Sul deve continuar sendo uma “zona de paz”.
“Nós queremos manter a América do Sul como zona de paz. Nós não queremos trazer os conflitos de outras regiões para o nosso continente”, afirmou.
Lula acrescentou que o Brasil está disposto a atuar como mediador entre Washington e Caracas, caso seja necessário, destacando o papel histórico do país na promoção do diálogo regional.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








