O preço mundial da carne atingiu um recorde histórico em setembro, segundo o Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A alta de quase 10% desde o início do ano foi impulsionada pela redução na oferta global, aumento nos custos de produção e manutenção de uma demanda elevada.
O indicador, que monitora mensalmente cinco categorias principais de alimentos, registrou para o grupo “carnes” o maior valor desde sua criação, há três décadas. A categoria inclui carne bovina, suína, de aves e de carneiro.
Os maiores aumentos ocorreram nas carnes de vaca e de carneiro, com destaque para a carne bovina, que subiu 26% no Brasil, 33% nos Estados Unidos e 54% na União Europeia, segundo dados do World Beef Report (WBR).
Especialistas da FAO afirmam que surtos de doenças animais, tensões comerciais e incertezas nas políticas de exportação contribuíram para a alta. Além disso, secas prolongadas e fenômenos climáticos extremos reduziram o rebanho e elevaram os custos de ração, energia e transporte.
“O mercado global de carnes está enfrentando um momento de forte instabilidade. Países importadores estocam o produto por medo de novos desequilíbrios comerciais, o que pressiona ainda mais os preços”, explicou a economista Josefina Tothova, da FAO.
Nos Estados Unidos, o estoque de gado bovino é o menor dos últimos 70 anos. O processo de recomposição do rebanho — conhecido como retenção de animais — deve levar até 2027, segundo o consultor uruguaio Andrés Oyhenard, da Tardáguila Agromercados.
O Brasil, principal exportador mundial de carne bovina, também caminha para um período de recomposição lenta do rebanho. Mesmo assim, a forte demanda internacional tem mantido o valor da carne em alta, compensando as barreiras impostas por tarifas externas, como a taxa de 50% aplicada pelos Estados Unidos em 2024.
Enquanto isso, o açúcar e os laticínios seguiram o caminho oposto. O preço do açúcar caiu 21% em relação ao ano anterior, atingindo o menor nível desde 2021, reflexo da alta produção no Brasil e na Tailândia. Já os laticínios registraram queda pelo terceiro mês consecutivo, com redução no valor da manteiga e do leite em pó, tanto desnatado quanto integral.
Segundo a FAO, o recuo desses produtos compensou parcialmente o impacto da carne no índice global. Ainda assim, a entidade alerta que os preços seguem acima da média histórica em razão da instabilidade climática e comercial que afeta a cadeia de alimentos.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








