Pela primeira vez em 20 anos, os Estados Unidos não aparecem entre os dez passaportes mais fortes do mundo, segundo o mais recente Henley Passport Index, levantamento internacional que mede o número de países que cada cidadão pode visitar sem precisar de visto.
O documento americano passou a ocupar a 12ª posição, ao lado da Malásia, marcando uma das maiores quedas já registradas desde que o ranking começou a ser elaborado. Em 2024, o país ainda figurava entre os sete primeiros; há uma década, liderava a lista.
De acordo com Christian H. Kaelin, presidente da Henley & Partners, empresa responsável pelo índice, o resultado demonstra uma transformação no cenário global de mobilidade e na capacidade de influência das nações.
“A força de um passaporte reflete a abertura e a cooperação internacional de um país. Aqueles que insistem em barreiras e privilégios do passado tendem a perder espaço”, afirmou Kaelin.
Atualmente, Singapura lidera o ranking, com acesso livre a 193 destinos, seguida por Coreia do Sul, com 190, e Japão, com 189. O domínio asiático no topo confirma a tendência de ampliação de acordos de isenção de visto e fortalecimento diplomático na região.
A Henley & Partners, sediada em Londres, utiliza dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) para atualizar o índice, publicado desde o início dos anos 2000.
A retração americana coincide com políticas migratórias mais restritivas adotadas nos últimos anos, principalmente durante o governo Donald Trump, que endureceu regras de entrada e saída do país. Medidas voltadas inicialmente ao combate à imigração irregular acabaram afetando também turistas, trabalhadores estrangeiros e estudantes internacionais.
Outro fator relevante é a falta de reciprocidade nas relações diplomáticas. Hoje, cidadãos dos EUA podem entrar sem visto em 180 países, mas Washington só permite o mesmo privilégio a 46 nacionalidades.
Recentemente, Brasil, China e Vietnã alteraram suas políticas de entrada, restringindo o acesso de turistas americanos — o que também impactou a classificação dos EUA no índice.
Para especialistas, a perda de prestígio do passaporte está levando cada vez mais norte-americanos a buscar dupla cidadania.
“A multiplicidade de cidadanias está se tornando comum entre os americanos”, observa Peter J. Spiro, professor de Direito na Universidade Temple. “Muitos já veem a dupla nacionalidade como uma estratégia de liberdade global.”
Em tom irônico, uma publicação recente nas redes sociais resumiu o novo momento: “A dupla cidadania virou o novo sonho americano.”
*Da Agência Fonte Exclusiva.








