O Conselho de Administração dos Correios se reúne nesta quarta-feira (15) para avaliar uma proposta de empréstimo bilionário com o objetivo de garantir fôlego financeiro à estatal até o fim de 2026. O plano prevê a contratação de R$ 20 bilhões em crédito junto a um grupo de bancos públicos e privados, com garantia do Tesouro Nacional.
De acordo com informações confirmadas pela CNN Brasil, o empréstimo seria dividido em duas etapas: R$ 10 bilhões ainda em 2025 e outros R$ 10 bilhões no próximo ano. A operação contaria com a participação do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e outras instituições financeiras privadas.
A iniciativa ocorre em meio à pior crise financeira recente da empresa. No primeiro semestre de 2025, os Correios registraram prejuízo de R$ 4,3 bilhões, mais que o triplo do resultado negativo de R$ 1,3 bilhão obtido no mesmo período do ano anterior.
Motivos e riscos
A estatal enfrenta queda nas receitas e aumento constante das despesas, o que tem comprometido sua capacidade de investimento e operação. Segundo fontes ligadas ao setor, o empréstimo — mesmo com juros elevados — é considerado essencial para evitar que os Correios se tornem dependentes do Tesouro, o que exigiria sua inclusão no Orçamento Geral da União (OGU) e poderia pressionar ainda mais as contas públicas.
As despesas anuais da companhia giram em torno de R$ 20 bilhões, o que, caso fossem incorporadas ao orçamento federal, reduziria a margem fiscal para outras áreas do governo.
Medidas recentes
Nos últimos meses, a empresa anunciou medidas para conter gastos, incluindo a venda de imóveis, um programa de demissões voluntárias e o lançamento de um marketplace em parceria com a Infracommerce. Apesar disso, especialistas avaliam que as ações ainda são insuficientes para reverter o cenário de desequilíbrio financeiro.
A decisão sobre o empréstimo deve ser formalizada nas próximas semanas, após parecer do conselho e do Tesouro Nacional.








