Os microplásticos estão em toda parte — no ar que respiramos, nos alimentos que ingerimos e até nos órgãos mais protegidos do corpo humano. Estudos recentes revelam que essas partículas, originadas de embalagens, roupas sintéticas e resíduos industriais, já foram detectadas em placentas, pulmões, sangue e cérebros humanos. Estimativas sugerem que o cérebro sozinho pode conter até 5 gramas de plástico, o equivalente a uma colher de chá.
Uma das pesquisas mais recentes, apresentada na Conferência Europeia de Gastroenterologia, em Berlim, mostrou que essas partículas podem interferir diretamente no microbioma intestinal, responsável por processos vitais que vão da digestão ao equilíbrio emocional. O estudo, conduzido pelo Dr. Christian Pacher-Deutsch, da Universidade de Graz, na Áustria, analisou bactérias intestinais expostas a diferentes tipos de microplásticos e observou mudanças químicas associadas a distúrbios como depressão e câncer colorretal.
“É cedo para conclusões definitivas, mas reduzir o contato com microplásticos é uma medida prudente”, afirmou o pesquisador ao apresentar os resultados.
Outros estudos citados pelo jornal britânico The Guardian reforçam a preocupação. Experimentos com roedores, conduzidos pela neurocientista Jaime Ross, da Universidade de Rhode Island, mostraram que ratos expostos à água contaminada com microplásticos apresentaram alterações comportamentais típicas do envelhecimento precoce e doenças neurológicas. A análise revelou ainda a presença das partículas em todos os órgãos — inclusive no cérebro —, acompanhada da redução de uma proteína ligada à saúde neural.
Em humanos, microplásticos já foram encontrados no cérebro de pacientes com demência e em placas arteriais de pessoas com doenças cardíacas. Aqueles com maiores concentrações tinham até cinco vezes mais risco de sofrer um infarto ou AVC.
Apesar das evidências, especialistas destacam que ainda não existe um parâmetro de segurança. “Não sabemos qual é o nível aceitável dessas partículas no corpo, nem se todos os tipos de plástico têm o mesmo efeito”, afirma Stephanie Wright, pesquisadora do Imperial College London. Segundo ela, a composição e o formato das partículas influenciam o potencial de dano — quanto menores, maior a chance de atravessarem barreiras biológicas e se alojarem em órgãos.
Além dos impactos físicos, há indícios de que a vulnerabilidade genética também influencia a resposta à exposição. Um estudo recente sugere que indivíduos com o gene APOE4, associado ao Alzheimer, podem ser mais sensíveis aos efeitos dos microplásticos sobre o cérebro.
Embora as pesquisas ainda estejam em andamento, cientistas concordam em um ponto: o plástico não é inerte e sua presença no corpo humano pode estar moldando silenciosamente aspectos da nossa saúde física e mental.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








