Uma profecia sobre o fim do mundo marcado para a virada do dia 23 para 24 de setembro tomou conta das redes sociais nas últimas semanas. A teoria do “arrebatamento”, difundida pelo pastor sul-africano Joshua Mhlakela, ganhou milhões de visualizações no TikTok e no X (antigo Twitter), especialmente nos Estados Unidos, Índia e países africanos.
Em vídeo publicado há três meses na Centtwinz TV, Mhlakela relatou ter tido uma visão na qual Jesus estaria sentado em um trono e teria dito: “Estou chegando em breve”. A data escolhida coincide com o Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico, tradicionalmente associado ao toque de trombetas (shofar) – som que, para alguns cristãos, simbolizaria o anúncio da volta de Cristo.
A base bíblica e as interpretações
A crença no arrebatamento tem como principal fundamento um trecho da Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses, que descreve que os fiéis “serão arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares”. Contudo, não há consenso entre os religiosos sobre como ou quando isso ocorreria.
Enquanto Mhlakela defende uma data específica, outros líderes, como o pastor e influenciador Antônio Júnior, evitam marcar o evento, enfatizando que os cristãos “devem sempre estar preparados, todos os dias”. Já autores como o pastor Hernandes Dias Lopes citam guerras, terremotos e a pandemia como “sinais” da proximidade do fim.
Crise global e busca por respostas
Para especialistas, a viralização dessa profecia está diretamente ligada ao contexto de incerteza global. “Vivemos em uma sociedade cada vez mais aterrorizada. Questões como aquecimento global e guerras criam uma sensação de insegurança compartilhada por progressistas e conservadores”, analisa o sociólogo da religião Francisco Borba Ribeiro Neto, da PUC-SP.
Ele ressalta que, diferentemente dos mitos antigos – que fortaleciam comunidades inteiras –, as teorias atuais do fim do mundo tendem a circular em “bolhas” específicas das redes sociais, muitas vezes como forma de escape diante de um futuro percebido como ameaçador.
Reações nas redes e antecedentes
Nas plataformas digitais, a discussão sobre o arrebatamento gerou desde desespero – com relatos de pessoas vendendo bens ou pedindo demissão – até memes e piadas. A discussão também inclui temas curiosos, como se animais de estimação seriam “levados” ou não.
Mhlakela não é o primeiro a marcar uma data para o fim do mundo. Na última década, o pastor norte-americano Harold Camping previu o arrebatamento para 2011, após ter cogitado 1994 em um livro publicado anos antes.
Enquanto isso, líderes católicos, como o padre Paulo Ricardo, rejeitam a interpretação do arrebatamento, lembrando que a teoria foi popularizada no século 19 pelo pastor John Nelson Darby e não é aceita pela Igreja.
A data de 24 de setembro se aproxima sem indícios de que a profecia se cumpra, mas a discussão nas redes evidencia como narrativas apocalípticas continuam a encontrar eco em um mundo em crise.
Da Agência Fonte Exclusiva.








