A crise habitacional em Portugal tem impactado diretamente os estudantes brasileiros que buscam qualificação no país. Nos últimos dois anos, o preço médio de aluguel de quartos subiu 51%, saltando de 275 euros em 2022 para 415 euros em 2024 — valor que consome quase metade do salário mínimo local (870 euros). Com 11.074 brasileiros residindo no país para estudos, a situação tornou-se insustentável para muitos.
Em cidades como Lisboa, onde quartos chegam a 714 euros, e Porto, com média de 400 euros, estudantes relatam dificuldades para conciliar despesas. Edlanea Ferreira, mestranda em Porto, testemunhou seu aluguel subir de 290 para mais de 400 euros. Já Ayla Amaral, em Coimbra, optou por um microapartamento de 400 euros para evitar dividir casa com quatro pessoas, comprometendo grande parte de sua renda.
Além da moradia, brasileiros enfrentam anuidades até 83% mais caras que as de estudantes locais. Enquanto portugueses pagam até 697 euros anuais em universidades públicas, internacionais desembolsam entre 2.500 e 4.550 euros — variação que aprofunda desigualdades.
Para Kaio Jesus, estudante de enfermagem em Coimbra, mesmo com quarto subsidiado por 100 euros na residência universitária, o custo mensal é alto, exigindo complemento de renda com trabalho aos fins de semana.
Especialistas apontam que a alta nos preços está ligada à baixa oferta de imóveis, somada à demanda turística e migratória. Para Pedro Neto Monteiro, presidente da Federação Acadêmica de Lisboa, o cenário exclui alunos de baixa renda e exige políticas públicas urgentes.
Enquanto isso, brasileiros como Lisandra Gonzaga adiam planos ou buscam empregos no exterior para bancar os estudos — ela trabalhou como babá na França antes de iniciar seu mestrado no Porto.
A tendência de alta persiste: apenas 5,5% nos últimos 12 meses, segundo o Observatório do Alojamento Estudantil. Sem intervenção, a dream de estudar em Portugal pode se tornar inviável para milhares de brasileiros.
Da Agência Fonte Exclusiva, com informações da DW Brasil.








