O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decretou nesta segunda-feira (11) estado de emergência de segurança pública em Washington D.C., assumindo o controle da polícia local e mobilizando 800 agentes da Guarda Nacional. A medida coloca a força policial da capital sob comando da procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, com reforço de agentes do FBI e de outras forças federais.
Trump batizou a operação de “dia da libertação” da capital e declarou, em coletiva, que é hora de “ações drásticas” para expulsar moradores de rua e prender “jovens criminosos”. Em publicações na rede Truth Social, o presidente afirmou que pretende tornar Washington “mais segura e mais bonita do que nunca”, acusando a cidade de estar “tomada por gangues violentas, criminosos sanguinários, maníacos drogados e moradores de rua”.
As medidas provocaram protestos em frente à Casa Branca, reunindo dezenas de manifestantes com cartazes e palavras de ordem como “tirem as mãos de Washington D.C.” e “protejam o governo autônomo”.
Apesar das declarações de Trump, os dados da polícia local mostram que a criminalidade na capital vem diminuindo. Até 8 de agosto de 2025, houve queda de 7% nos crimes em geral e de 26% nos crimes violentos em comparação a 2024. Os homicídios caíram 12% e os roubos de carro, 37%.
Mesmo assim, no domingo anterior, Trump escreveu que “os sem-teto precisam sair IMEDIATAMENTE” de Washington e que quer a capital “DE VOLTA”. Para Donald Whitehead, diretor executivo da Coalizão Nacional para os Sem-teto, o presidente confunde pobreza com criminalidade e ignora que pessoas em situação de rua são mais propensas a serem vítimas do que autores de crimes. Segundo ele, ações de remoção de acampamentos tendem a aumentar, e não reduzir, os índices criminais.
Whitehead destacou que há cerca de seis mil pessoas vivendo nas ruas da capital e que o aumento do custo da moradia agravou o problema. Ele criticou o fato de Trump ter prometido combater a inflação sem apresentar resultados concretos e disse estar preocupado com o destino dos removidos.
Já no domingo, cerca de 450 policiais federais de diferentes agências — como FBI, DEA e Patrulha de Fronteira — estavam nas ruas. A chegada dos efetivos da Guarda Nacional está prevista para esta semana. O envio de tropas federais para atuar em cidades já havia ocorrido em junho, quando Trump ordenou a ida de dois mil militares para Los Angeles após operações policiais contra imigrantes sem documentos, gerando críticas do governador Gavin Newsom, que classificou a ação como “inflamatória” e capaz de aumentar as tensões.
A última vez que Washington recebeu reforço maciço da Guarda Nacional foi em janeiro de 2021, após a invasão do Capitólio por apoiadores de Trump.
A prefeita democrata de Washington, Muriel Bowser, rejeitou as acusações de que a cidade esteja tomada pelo crime. Segundo ela, apesar de um aumento “terrível” em 2023, a criminalidade caiu para o menor patamar em 30 anos, com redução de 26% nos crimes violentos em 2025. Ao responder ao comentário do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, de que a capital seria mais perigosa que Bagdá, Bowser afirmou que qualquer comparação com uma cidade devastada pela guerra é “hiperbólica e falsa”.
Da Agência Fonte Exclusiva.








