Uma jazida mineral localizada em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, tem despertado forte interesse internacional, especialmente por parte dos Estados Unidos. Estima-se que a reserva possa atender até 20% da demanda mundial por terras raras — grupo de 17 elementos essenciais para tecnologias de ponta, energia renovável e defesa.
Segundo informações divulgadas neste domingo (3) pelo G1, o governo norte-americano já iniciou conversas com autoridades brasileiras para firmar acordos de aquisição desses minérios. O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, afirmou que o encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, oficializou o interesse de Washington.
A movimentação ocorre apesar das tensões recentes entre os governos dos dois países. Em 2023, os EUA pressionaram por maior acesso aos chamados minerais críticos brasileiros, mas o governo Lula se posicionou contra a simples exportação da matéria-prima, defendendo o fortalecimento do processamento interno e a agregação de valor à cadeia produtiva nacional.
Aposta em soberania mineral
A estratégia do Brasil segue a tendência global de industrialização dos recursos naturais. Um estudo da ONU sobre comércio e desenvolvimento destaca que o beneficiamento local pode multiplicar os ganhos econômicos. A República Democrática do Congo, por exemplo, viu o valor do cobalto triplicar ao investir no refino do mineral: de US$ 5,6 para US$ 16,2 por quilo.
No caso brasileiro, duas empresas australianas já têm planos para iniciar a exploração da jazida mineira entre 2026 e 2027. No entanto, o grande desafio está em estabelecer uma cadeia produtiva completa — algo que hoje é amplamente dominado pela China, responsável por 75% da extração, 85% do refino e 95% da produção global de ímãs de terras raras.
Nesse contexto, foi criado em Lagoa Santa (MG) o laboratório CIT SENAI ITR, com o objetivo de desenvolver ímãs com tecnologia nacional, utilizando o próprio minério brasileiro.
Um minério abundante, mas estratégico
Apesar do nome, as “terras raras” não são escassas. O que as torna valiosas é a complexidade do processo de separação desses elementos dos demais minerais. No caso da jazida mineira, as formações geológicas são especialmente favoráveis: os materiais estão concentrados em argila iônica, a apenas 30 metros da superfície, o que facilita a extração.
É por isso que a jazida vem sendo monitorada de perto por grandes potências, como China e EUA, que disputam o controle de cadeias estratégicas para tecnologias limpas, semicondutores, carros elétricos e sistemas militares.
O interesse norte-americano reforça a importância do debate sobre soberania mineral e políticas industriais no Brasil — país que, além de sua enorme biodiversidade, agora desponta como ator-chave na nova geopolítica dos recursos tecnológicos.
Da Agência Fonte Exclusiva.








