Um vídeo divulgado neste sábado (2) expõe a condição crítica do refém israelense Evyatar David, de 24 anos, mantido em cativeiro pelo Hamas em Gaza. Nas imagens, ele aparece extremamente debilitado, em um túnel apertado, cavando o que seria sua própria cova.
O refém relata que passou dias apenas comendo feijão ou lentilhas e, em alguns momentos, ficou até três dias sem qualquer alimento. A gravação termina com uma mensagem do Hamas: “Somente um acordo de cessar-fogo os trará de volta”.
A família do jovem afirma que ele está sendo submetido a uma “campanha vil de fome” e que o Hamas estaria privando-o de comida com fins de propaganda. Em nota, disseram: “Nosso filho está sendo usado como experimento vivo”. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, condenou as imagens e afirmou que o mundo “não pode se calar diante desse abuso sádico”.
No mesmo dia da divulgação do vídeo, familiares dos reféns se reuniram com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff. Ele afirmou que Washington trabalha por um plano que levaria ao fim da guerra e à reconstrução de Gaza. Witkoff chegou a dizer que o Hamas estaria disposto a se desarmar, mas o grupo negou essa possibilidade, exigindo o reconhecimento de um Estado palestino soberano com Jerusalém como capital.
As famílias dos reféns, no entanto, demonstraram frustração com a falta de avanços. Em Tel Aviv, realizaram mais uma manifestação cobrando do premiê Benjamin Netanyahu uma proposta concreta de paz. “A única forma de trazer os reféns de volta é com um acordo abrangente que ponha fim à guerra”, disse Einav Zangauker, mãe de um dos sequestrados.
Conflito segue com novos mortos em busca por ajuda
Ainda no sábado, tropas israelenses abriram fogo perto de dois centros de distribuição de ajuda humanitária da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), matando ao menos 10 palestinos, segundo autoridades locais. Outros 19 morreram próximos à passagem de Zikim, ao tentar receber alimentos.
Testemunhas relataram que os soldados atiraram contra civis em fuga. O Exército de Israel, por sua vez, declarou não ter conhecimento de disparos na região. A GHF disse que seus contratados apenas usaram spray de pimenta ou tiros de advertência para evitar tumultos.
Desde 27 de maio, segundo relatório da ONU, pelo menos 859 palestinos morreram em situações semelhantes. A Alemanha declarou que a ajuda humanitária é “muito insuficiente” e que Israel tem a obrigação de permitir o acesso total aos suprimentos.
Bombardeios continuam em meio à crise
Mesmo com as pressões internacionais, os ataques persistem. O exército israelense, liderado por Eyal Zamir, declarou que “os combates seguirão sem trégua” até que todos os reféns sejam libertos.
No sul de Gaza, bombardeios atingiram tendas com famílias deslocadas e casas residenciais. Entre os mortos, estão crianças e mulheres. O Hospital Nasser confirmou a entrada de cinco corpos neste sábado, vítimas de dois ataques distintos.
A ONU reforçou que o número atual de caminhões de ajuda que entra em Gaza está muito abaixo dos 500 a 600 necessários diariamente. Nos últimos dias, dezenas morreram por desnutrição, incluindo sete vítimas apenas nas últimas 24 horas.
Da Agência Fonte Exclusiva.








