O ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi condenado a 12 anos de prisão domiciliar por corrupção de testemunhas e fraude processual. A decisão, proferida nesta sexta-feira (1º), pela juíza Sandra Heredia, do Tribunal de Bogotá, ordena o cumprimento imediato da pena, rejeitando o pedido da defesa para que Uribe aguardasse em liberdade a análise de recursos.
Segundo a magistrada, a medida busca preservar a ordem pública e evitar que Uribe, figura de destaque internacional, deixe o país para escapar da punição. O ex-presidente, de 73 anos, é agora o primeiro ex-chefe de Estado colombiano a ser condenado criminalmente.
Uribe, que governou de 2002 a 2010, sempre negou as acusações, alegando ser alvo de perseguição política. Em sua declaração, afirmou que a decisão foi motivada por interesses partidários: “Para condenar, a política prevaleceu sobre a lei”.
A condenação tem origem em denúncias feitas em 2012 pelo então congressista Iván Cepeda, que, com base em depoimentos de ex-paramilitares, ligou Uribe ao grupo armado Bloque Metro, braço das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). O ex-presidente tentou processar Cepeda, mas a Suprema Corte rejeitou a ação e, em contrapartida, passou a investigar Uribe.
A Corte identificou tentativas de manipular testemunhas por parte de aliados do ex-presidente. Em 2020, Uribe foi colocado em prisão domiciliar, renunciou ao Senado e o caso passou à Justiça comum. Apesar de pedidos da Promotoria para arquivar o processo por suposta falta de provas, a Justiça decidiu levá-lo a julgamento.
Com a chegada de Luz Adriana Camargo à Procuradoria-Geral, indicada pelo atual presidente Gustavo Petro, o processo avançou. A sentença poderá ser revista pelo Tribunal Superior de Bogotá, que tem até outubro de 2026 para se manifestar antes da prescrição dos crimes.
A condenação reacende o debate político na Colômbia. O partido Centro Democrático, fundado por Uribe, convocou manifestações para 7 de agosto e afirmou que um homem inocente foi condenado. Uribe também apresentou uma denúncia contra Petro, acusando o presidente de difamação.
Petro, por sua vez, sugeriu que Uribe coopere com a Justiça Especial para a Paz (JEP), afirmando que a verdade pode ajudar a Colômbia a superar a violência do passado.
Da Agência Fonte Exclusiva.








