Um terremoto de magnitude 3,1 atingiu próximo à cidade de Concord, na Califórnia, nesta sexta-feira (30), informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).
O tremor ocorreu a uma profundidade de 14,8 km às 15h11 no horário leste dos EUA, 16h11 no horário de Brasília.
Os cientistas usam a “escala de magnitude de momento” para categorizar a força e o tamanho dos terremotos, segundo o Serviço Geológico dos EUA. Terremotos de escalas menores podem ser sentidos, mas geralmente não são esperados danos.
Concord fica a cerca de 48 km, 43 minutos de carro, de São Francisco, na Califórnia.
A localização do fenômeno desta sexta-feira foi próxima ao local onde os cientistas esperam o terremoto devastador “Big One”.
Em algum momento entre hoje e daqui a 200 anos, especialistas dizem que o desastre atingirá os Estados Unidos.
Entend o “Big One”
Em inglês, “Big One” significa algo como “O Grande”.
“O Big One será um terremoto de magnitude de 7,8 ou 8 (na escala Richter) na falha de San Andreas”, disse Lucy Jones, sismóloga de referência na região, em entrevista a veículos de imprensa locais.
Por sua parte, o jornalista Jacob Margolis, apresentador de um podcast chamado The Big One, disse à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, que o “Big One significa que não devemos considerar apenas a magnitude do terremoto, mas o nível de dano (que ele vai causar)”.
A Califórnia é uma região propensa a terremotos, uma vez que está sobre uma série de rachaduras da crosta terrestre, onde placas tectônicas se encontram e se movimentam.
Essa movimentação das placas fez surgir uma das mais famosas falhas do planeta, a de San Andreas. Grandes cidades como Los Angeles, San Francisco e San Bernardino foram construídas nas proximidades dessa ranhura, que estende por 1,3 mil km quilômetros, do norte ao sul da Califórnia. Ela separa a placa norte-americana da do Pacífico.
O atrito entre essas duas placas tectônicas é responsável por frequentes tremores na Califórnia, classificada como uma das áreas de maior instabilidade tectônica do planeta.
Em 1906, a Califórnia viu um terremoto de magnitude de 7,8 devastar grande parte da cidade de San Francisco, deixando mais de 3 mil mortos, quando a parte central da rachadura se rompeu.
Mas o que mais preocupa os pesquisadores é a parte sul da rachadura, que não produz abalos sismos há cerca de 300 anos.
Estudos geológicos indicam que abalos de maior volume tendem acontecer a cada 150 anos na região e, por isso, acredita-se que essa área da falha de San Andreas esteja acumulando tensão.
O último grande terremoto nessa área foi em 1857. Os sismólogos esclarecem, no entanto, que não há como prever quando o próximo vai ocorrer.
Os cálculos mais conservadores sugerem que um terremoto de magnitude 7,8 nessa região – o que teria um impacto direto em Los Angeles, a segunda cidade mais populosa dos Estados Unidos -, poderia causar cerca de 2 mil pessoas mortes e deixar mais de 50 mil feridos.
Estima-se que danos materiais chegariam a centenas de bilhões de dólares.
O Big One somente está associado à rachadura de San Andreas?
Devido a sua extensão e ao fato de dividir duas placas tectônicas, um terremoto na falha de San Andreas é frequentemente citado como o “Big One” que muitos californianos temem.
Mas o termo também pode ser utilizado para se referir a terremotos em outras falhas que também podem causar graves danos.
Por exemplo, a rachadura de Hayward, localizada a leste da baía de San Francisco, foi descrita como “uma espécie de bomba-relógio tectônica” pelo geólogo David Schwartz, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS na sigla em inglês).
O USGS considerou, em um relatório de 2018 que essa falha “é uma das mais ativas e perigosas porque atravessa uma região densamente urbanizada e interconectada”.
Nessa região vivem cerca de 7 milhões de pessoas.
“Todo mundo, dependendo da área da Califórnia, tem seu próprio Big One”, diz Margolis.
O jornalista faz referência a outra falha, a de Puente Hills, localizada abaixo da cidade de Los Angeles.
Os cientistas do USGS enfatizam que a ruptura dessa falha sísmica é um evento incomum, que ocorre “a cada 3 mil anos”.
“Os cientistas se importam menos com isso porque (a falha) não é tão ativa quanto a de San Andreas, mas um terremoto poderia ser muito destrutivo em Los Angeles”, adverte Margolis.
Segundo estimativas publicadas pelo USGS em 2005, um terremoto de magnitude 7,5 em Puente Hills poderia resultar na morte de 3 mil a 18 mil pessoas e perdas materiais de bilhões de dólares.
Para evitar mais danos, nos últimos anos, as autoridades de Los Angeles exigiram que os proprietários de edifícios fortaleçam estruturas consideradas fracas e vulneráveis ao colapso em um terremoto.
Da Agência Fonte Exclusiva, com informações da BBC News e CNN.








