O indiciamento de Bruno Henrique pela Polícia Federal, por ter supostamente forçado dois cartões amarelos na partida entre Flamengo e Santos, no Brasileirão de 2023, traz à tona os casos suspeitos de manipulação de apostas envolvendo jogadores brasileiros. Além do rubro-negro, o meia Lucas Paquetá, do West Ham (Inglaterra), e o atacante Luiz Henrique, ex-Botafogo e atualmente no Zenit (Rússia), também viraram alvos nos últimos anos.
Ontem, Bruno Henrique foi indiciado por estelionato e fraude em competição esportiva para suposto benefício de apostadores. Os dois cartões, aplicados de maneira consecutiva no jogo realizado em novembro de 2023, no estádio Mané Garrincha, levantaram suspeitas e motivaram investigação em agosto do ano passado.
Nesta terça-feira, O site Metrópoles informou que a PF identificou dez pessoas envolvidas no esquema, sendo três com relações familiares com Bruno: o irmão Wander Nunes Pinto Júnior, a cunhada Ludymilla Araújo Lima e a prima Poliana Ester Nunes Cardoso. Os três apostaram na partida.
Além disso, o portal publicou reproduções de conversas entre o jogador e seu irmão, em que Bruno Henrique aparece avisando a data em que receberia o cartão amarelo. É justamente na partida contra o Santos. Numa das trocas de mensagens, Bruno garante que não receberia o cartão antes: “Não vou reclamar”, “só se eu entrar duro em alguém”, escreve o jogador.
Os investigados foram alvos de operação de busca e apreensão em novembro do ano passado. Na ocasião, Bruno Henrique teve o celular apreendido. O aparelho foi um dos analisados pelos agentes, assim como o de Wander.
O caso vinha sendo investigado desde agosto do ano passado pela PF e pelo Ministério Público, quando três casas de apostas detectaram volume e movimentações anormais de apostas em cartões para o atacante na partida.
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) chegou a abrir uma investigação no ano passado, que acabou arquivada. Na época, o tribunal explicou que foi avisado pela Conmebol e levou o caso à Sportradar, que não apontou irregularidades na partida.
Paquetá na mira
Jogador do West Ham e da seleção brasileira, Lucas Paquetá responde a uma investigação no âmbito da Federação Inglesa de Futebol (FA, na sigla em inglês) por má conduta relacionada a apostas esportivas em quatro partidas da Premier League ocorridas entre novembro de 2022 e agosto de 2023, contra Leicester, Aston Villa, Leeds United e Bournemouth.
As acusações da FA de 2024 afirmam que Paquetá tentou “influenciar o progresso, a conduta ou qualquer outro aspecto ou ocorrência dessas partidas ao tentar intencionalmente receber um cartão do árbitro com o propósito impróprio de afetar o mercado de apostas para que uma ou mais pessoas lucrassem com as apostas”. A entidade pede o banimento do atleta no esporte.
No último dia 7, terminou o prazo de três semanas esperado pela FA para que o julgamento de Paquetá fosse concluído. Segundo o jornal inglês The Guardian, o painel independente que estava a frente da audiência do meia brasileiro não deu um resultado devido à complexidade do caso.
Ainda conforme o portal, audiência não será retomada até junho, devido a outros compromissos dos advogados presentes no caso. O julgamento de Lucas Paquetá, denunciado em maio de 2024 por má conduta com relação a apostas, havia começado no dia 17 do mês passado e tinha o prazo para se encerrar em três semanas.








