A Cicle Universal do Betinho, referência no comércio de bicicletas no Norte Fluminense, anunciou nesta terça-feira (25) o fechamento de sua matriz, localizada em Campos dos Goytacazes (RJ). Fundada há 78 anos, a loja foi uma das mais tradicionais da região, mas sucumbiu a uma combinação de fatores: esvaziamento econômico da cidade, alta carga tributária e conflitos com a gestão municipal.
O anúncio foi feito pelo sócio Betinho do Cicle em vídeo divulgado no programa Direto da Redação, do jornalista Roberto Barbosa.
Conflito com a prefeitura e demolição de empreendimento
Betinho criticou duramente o prefeito Wladimir Garotinho (União Brasil), acusando-o de prejudicar empreendedores locais. Ele relatou que um prédio com várias lojas, construído em terreno de sua família no distrito de Guarus, foi demolido pela prefeitura sob alegação de irregularidades fundiárias.
“Foi uma covardia sem precedentes. Alegaram que as terras não eram minhas, mas pertenciam à minha família há décadas”, afirmou.
O empresário destacou que as dificuldades impostas pelo município, somadas ao cenário econômico crítico, inviabilizaram a continuidade da matriz. “Campos está esvaziada economicamente. O descontrole gerencial da prefeitura afugenta investimentos”, disse.
Crise municipal aprofunda problemas locais
A cidade, que tem um orçamento anual superior a R$ 3 bilhões, enfrenta um rombo estimado em 1,5 bilhão, segundo dados recentes divulgado no programa Direto da Redação, apresentado pelo jornalista Roberto Barbosa.
A situação financeira do município é comparada por moradores à “década perdida” dos anos 80, marcada por recessão e desemprego. Com o fechamento da matriz do Cicle Universal, o comércio local perde mais um símbolo de resistência empresarial.
Também na gestão do prefeito Wladimir Garotinho, a cidade assistiu ao encerramento de Ao Livro Verde, a mais antiga do mundo, com citação no Guinness World Records.
Filial de Macaé lidera faturamento
Apesar do fechamento em Campos, as filiais da rede em Macaé e Cabo Frio permanecem em funcionamento. Betinho destacou que a unidade de Macaé é a que mais contribui para o faturamento do grupo atualmente, juntamente com a filial de Cabo Frio.
“Infelizmente, em Campos, não há mais condições de manter a matriz. Mas seguimos firmes nas outras cidades”, afirmou.
Repercussão e futuro incerto
O fechamento reacende debates sobre a gestão pública e o ambiente para negócios em Campos. Enquanto a prefeitura não se pronunciou oficialmente sobre as afirmações do empresário, moradores lamentam a perda de uma loja que fazia parte da história da cidade e gerava empregos no comércio.
Para especialistas, o caso ilustra como crises administrativas na esfera público podem deterioram o ambiente de negócios e acelerar o declínio econômico de municípios outrora prósperos.
*Reportagem baseada em declarações de Betinho do Cicle e dados públicos sobre a gestão de Campos dos Goytacazes.







