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Conservadores vencem eleição alemã e encerram era Scholz

Sob a liderança de Friedrich Merz, União Democrata Cristã (CDU) deve voltar a formar maior bancada no Parlamento três anos após fim do governo Merkel

redacao Por redacao
23/02/2025 - 20:27
em Mundo
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eleições alemanha
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Em meio a um cenário de crise econômica e tensões geopolíticas, os alemães foram às urnas neste domingo (23/02) em eleições legislativas antecipadas para definir os novos membros do Parlamento (Bundestag).

As primeiras projeções apontam que a conservadora União Democrata Cristã (CDU) combinada com seu parceiro bávaro, a União Social Cristã (CSU), foi a legenda mais votada do pleito, com cerca de 28,5% dos votos, cacifando o líder conservador Friedrich Merz a ocupar o posto de chanceler federal e substituir o impopular social-democrata Olaf Scholz na chefia do governo alemão.

Apesar de ter superado o Partido Social-Democrata (SPD) de Scholz, a CDU/CSU não assegurou maioria entre as 630 cadeiras no Bundestag. Assim, a legenda ainda terá que costurar alianças com outras siglas para solidificar a ascensão de Merz ao posto e garantir a formação de um governo estável, um processo que pode se arrastar por semanas.

Até lá, Scholz deve permanecer no posto interinamente. E o processo de formação de uma coalizão pode se complicar dependendo da quantidade de legendas que superarem a cláusula de barreira de 5% para formar bancadas no Parlamento, quando a contagem final for confirmada. Num Bundestag mais pulverizado, será mais desafiador para a CDU/CSU formar alianças.

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Mas é considerado certo que os dias de Scholz à frente do governo estão contados. Castigado por desaprovação recorde, o atual chanceler federal e o SPD devem obter apenas 16,5% dos votos – opior resultado da legenda em mais de um século –, levando o partido a cair para a terceira posição entre as maiores bancadas do Bundestag, algo que também não era observado desde o fim do século 19.

Com o resultado, Scholz deve se tornar o chanceler federal mais breve desde a reunificação do país em 1990, tendo ficado menos de quatro anos no cargo.

Já a segunda maior bancada passará a ser ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), que deve obter pouco mais de 20% dos votos numa eleição dominada por questões como imigração, crise econômica e acusações de interferência externa. Com essa porcentagem, a AfD deve dobrar seu eleitorado em relação ao último pleito, em 2021.

Os Verdes, parceiros de Scholz na atual coalizão de governo, sofreram um leve declínio, aparecendo com cerca de 12% dos votos. Eles foram seguidos pelo partido A Esquerda (Die Linke), com 8,7%, uma marca que reverteu o desgaste sofrido pela legenda nos últimos anos.

Os resultados preliminares também apontam que o Partido Liberal Democrático (FDP, na sigla em alemão) – cuja saída do governo em novembro levou à antecipação da eleição – deve ficar abaixo da cláusula de barreira de 5% e, por isso, corre o risco de ficar de fora do Bundestag.

O cenário ainda é nebuloso para a nova legenda populista de esquerda Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), que aparece logo abaixo da marca. No entanto, a situação política das duas legendas só deve ser confirmada quando a contagem for finalizada. Elas também ainda podem compensar a desvantagem na porcentagem com a eleição de pelo menos três deputados por voto direto.

A participação eleitoral neste domingo foi de 83%, a mais alta desde reunificação, de acordo com as pesquisas de boca de urna

Eleição agora vai dar lugar à fase de negociações

Os resultados preliminares apontam que a CDU/CSU conseguiram recuperar terreno entre o eleitorado em relação ao pleito de 2021, quando foram superados pelo SPD. Os conservadores cresceram cinco pontos percentuais – o resultado, porém, continua abaixo das marcas obtidas pelo partido sob a liderança da ex-chanceler Angela Merkel nos pleitos entre 2005 e 2017.

Por enquanto, a governabilidade para os conservadores permanece uma incógnita. Para conseguir liderar um governo estável na Alemanha, um pretendente a chanceler federal precisa garantir mais de 50% dos votos no Bundestag. Como nenhum partido obteve essa marca sozinho, vai entrar em cena a costura de alianças .

Na Alemanha, os eleitores não votam diretamente nos candidatos a chanceler, mas em seus partidos e em candidatos a deputado pelas legendas. Normalmente, cabe à legenda que conquistar mais cadeiras no Bundestag e/ou que tiver mais chances de liderar a costura de uma coalizão com mais de 50% das cadeiras encabeçar o governo – e consequentemente escolher o chanceler federal.

Não é inédito que um aspirante conquiste a chancelaria sem que seu partido tenha terminado em primeiro lugar nas eleições. Isso já ocorreu em pleitos realizados na antiga Alemanha Ocidental em 1969, 1976 e 1980, quando partidos menos votados mostraram mais capacidade de formar coalizões. No entanto, tal cenário é considerado improvável, considerando o declínio acentuado do SPD e o isolamento da AfD.

Como Merz e a CDU/CSU descartaram uma aliança com a AfD, analistas apontam que Merz terá que cortejar os partidos que aparecem na terceira e quarta posições para garantir uma coalizão estável. Ou seja, os social-democratas e verdes, que governaram a Alemanha nos últimos três anos.

A ascensão de Merz

Nascido em 1955 em Brilon, na antiga Alemanha Ocidental, Merz ingressou na CDU ainda na adolescência. Formado em Direito, ele chegou a atuar como juiz antes se candidatar a cargos eletivos. Estreou como eurodeputado em 1989. Na década seguinte, foi eleito para o Parlamento alemão.

Membro de um grupo rival interno ao da ex-chanceler Merkel na CDU, Merz acabou se afastando da política em 2009, passando a atuar no setor privado. Em 2018, com a aposentadoria de Merkel já no horizonte, voltou à política, tornando-se líder da CDU em 2021.

No comando da legenda, Merz deu uma guinada conservadora, afastando a CDU da rota centrista adotada por Merkel por quase duas décadas, o que levou a imprensa estrangeira a defini-lo como um conservador “anti-Merkel”.

Opositor da política de “boas-vindas” aos refugiados da sua predecessora, Merz passou a defender uma abordagem mais rígida contra a imigração. Também se mostrou crítico ao fechamento de usinas nucleares acertado por Merkel.

Em alguns momentos, Merz foi acusado por rivais de se aproximar da ultradireita. Em janeiro, após um ataque a faca executado por um afegão que deixou dois mortos, Merz tentou aprovar no Bundestag, com apoio da AfD, um projeto para restringir a imigração. O gesto foi visto como uma rachadura significativa no “cordão sanitário”, pacto dos partidos tradicionais para isolar politicamente a ultradireita, e provocou protestos nas ruas e críticas da ex-chanceler Merkel.

Merz tentou minimizar o episódio reforçando que nunca pretende se aliar à AfD. Se ascender mesmo ao posto de chanceler federal, Merz será o terceiro membro da CDU a chefiar o governo alemão desde a reunificação do país, em 1990.

Neste domingo, após o anúncio da boca de urna, Merz discursou para seus apoiadores, afirmando que se tratava de “uma noite de eleição histórica” para os conservadores da CDU/CSU.

“Nós, o bloco da União, vencemos esta eleição”, disse Merz. “Ganhamos porque a CDU e a CSU trabalharam muito bem juntas e se prepararam muito bem.”

Em seguida, Merz abordou as complicadas negociações para a formação de uma coalizão que já se anunciam. “O mundo não vai esperar por nós, não vai esperar por longas negociações de coalizão. Precisamos ser capazes de agir novamente com rapidez, para que possamos fazer a coisa certa na Alemanha, para que estejamos presentes novamente na Europa e para que o mundo veja: A Alemanha tem novamente um governo confiável”, disse Merz.

Da Agência Fonte Exclusiva, com informações da DW Brasil.

Tags: #Conservadores#Eleições na Alemanha
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