Ainda que dê sinais de quebradeira financeira, a Prefeitura de Campos dos Goytacazes (RJ), Norte Fluminense, tem mais de 30 mil servidores em sua folha de pagamento, segundo reportagem do jornal O Dia, mas o número real giraria em torno de 40 mil ou mais.
Este contingente inclui servidores efetivos (minoria, já que o município não promove concurso público), além de aposentados, pensionistas, cargos comissionados e RPAs.
Os comissionados e RPAs formam a maioria deste contingente, porque se trata de cabos eleitorais contemplados sob custeio da máquina pública.
O contingente de “mais de 30 mil” é uma versão oficial da própria Prefeitura, que não fala em número exato justamente para escamotear o dado real.
O fato inconteste, no entanto, é que para alimentar esta massa significativa, a folha de pagamento consome mais de R$ 1,2 bilhão por ano.
Não é pouca coisa. A massa corresponde, por exemplo, a toda a população de São João da Barra, se considerar o patamar de mais de 30 mil ou toda a população de Gramado (RS), que tem 40 mil habitantes, se for considerado este último dado.
Com pouco mais de 500 mil habitantes, Campos dos Goytacazes é uma pobre cidade rica. Arrecada mais de R$ 3 bilhões por ano. Assim ainda assim, enfrenta uma onda de falências no comércio local, migração de empresas e alto custo de vida, já que tem uma das maiores cargas tributárias do Estado do Rio.
Além de alimentar uma folha de pagamento bilionária, a cidade mantém quase 50% da população sob a dependência de pagamento de programas sociais, por meio do CadÚnico.
Apesar de ter arrecadado muito dinheiro mediante repasses de royalties e Participação Especial na produção de petróleo na Bacia de Campos, a cidade sucumbiu ao familismo, uma nova nomenclatura para oligarquias familiares que se apoderaram do fundo público.
Os maiores legados do familismo são obras da faraônicas, como o Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (CEPOP). A obra planejada para ser um sambódromo custou R$ 100 milhões para ficar fechada o ano inteiro, porque a cidade, praticamente, não tem carnaval no calendário.







