Muito tem se falado sobre o potencial de ‘Ainda Estou Aqui’ no Oscar de 2025, cujos indicados serão revelados pela Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood em 17 de janeiro – o maior de uma produção nacional nos últimos anos, quiçá décadas.
Há um consenso de que o filme de Walter Salles estará entre os finalistas da categoria de Melhor Filme Internacional e Fernanda Torres tem chances nada desprezíveis de repetir a mãe, Fernanda Montenegro (‘Central do Brasil’), 26 anos depois, e figurar entre as cinco nomeadas para o prestigiado prêmio de Melhor Atriz.
Mas há uma outra categoria do Oscar na qual ‘Ainda Estou Aqui’ também figura entre os grandes cotados pela imprensa internacional e, apesar de “correr por fora” no meio de diversos projetos milionários, pode ser a que mais lhe dê chances de surpreender todo mundo na grande festa do cinema. É a de Melhor Roteiro Adaptado.
De acordo com a ‘Variety’, veículo especializado em Hollywood, que faz um monitoramento minucioso da corrida da premiação, com atualizações periódicas, ‘Ainda Estou Aqui’ está hoje em sexto lugar no termômetro com os potenciais indicados pelo script baseado em alguma outra obra ou mídia, atrás de ‘Conclave’, ‘Sing Sing’, ‘O Quarto ao Lado’, ‘Emilia Pérez’ e ‘Wicked’.
E na frente de outros títulos considerados favoritos, como ‘Duna, Parte 2’, ‘Um Completo Desconhecido’ (cinebiografia de Bob Dylan estrelada por Timothée Chalamet) e até ‘Divertida Mente 2’ (a maior bilheteria de 2024).
No Hollywood Reporter, que faz um ranking semelhante, ‘Ainda Estou Aqui’ aparece um pouco abaixo em Melhor Roteiro Adaptado – oitavo, e aparecem outros rivais na briga, como a superprodução ‘Gladiador II’ e a elogiada animação ‘Robô Selvagem’.
O fato de ser uma categoria muito disputada (uma das mais concorridas da festa do próximo ano) paradoxalmente pode até ajudar o filme inspirado no livro de Marcelo Rubens Paiva, sobre como sua família se ancorou na força da sua mãe, Eunice (Torres), para enfrentar a captura e a morte do seu pai, o deputado Rubens Paiva (Selton Mello), pelas mãos da ditadura militar (1964-1985).
Explicamos: há diversos concorrentes em frequências similares, como ‘Duna, Parte 2’ e ‘Gladiador II’ ou ‘Robô Selvagem’ e ‘Divertida Mente 2’, o que divide votos, e ‘Ainda Estou Aqui’ se diferencia entre blockbusters e as chamadas produções europeias com longa tradição em Melhor Roteiro Adaptado.
Mas, sem dúvida, o principal diferencial do script assinado por Murilo Hauser e Heitor Lorega é que ele vem sustentado pela principal vitória da produção brasileira até aqui – o prêmio de Melhor Roteiro no último Festival de Veneza. Claro que o longa não disputou o troféu contra os mesmos competidores e o número de rivais então era restrito aos filmes em competição na mostra, mas se trata de um importante aval da qualidade do trabalho.
Por fim, há também o histórico da Academia nas duas categorias de Melhor Roteiro – Adaptado e Original. Em geral, são os indicados e vencedores mais “fora da caixa” do evento, onde cabem surpresas e sinalizações para as produções independentes.
O Brasil, por exemplo, tem uma ótima lembrança disso, com uma das quatro indicações recebidas por ‘Cidade de Deus’, em 2004 – além de Melhor Roteiro Adaptado, o filme de Fernando Meirelles e Kátia Lund concorreu a Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Edição.
Chegou a hora do cinema brasileiro marcar presença nesta cena novamente? As chances são boas.








