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TCU decide que Lula pode ficar com relógio de luxo e abre brecha para ajudar Bolsonaro

Decisão conjunta da ala bolsonarista do tribunal favorece o ex-presidente Bolsonaro, que pretende usá-la para se defender no caso das joias

redacao Por redacao
07/08/2024 - 22:31
em Política
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TCU RELOGIO DE LULA

Lula recebeu o presente durante seu primeiro mandato em uma viagem a Paris Ricardo Stuckert/Divulgação - 26.mar.2022

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O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu nesta quarta-feira, 8, que um relógio, avaliado na época em R$ 60 mil, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou da França em 2005, não precisará ser devolvido.

A decisão, apoiada majoritariamente pela ala bolsonarista da Corte, tem implicações não apenas para Lula, como também para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que enfrenta um inquérito relacionado a joias sauditas. As informações são do blog Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Durante sua primeira gestão, Lula recebeu o presente durante uma viagem a Paris. Trata-se de um modelo Cartier Santos Dumont, um clássico da renomada grife francesa, confeccionado em ouro branco de 18 quilates e prata 750. O relógio possui ainda uma coroa adornada com uma pedra de safira azul.

A decisão, capitaneada pelo ministro Jorge Oliveira, ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência de Bolsonaro, baseia-se na ausência de uma norma específica sobre o conceito de “bem de natureza personalíssima” e “elevado valor de mercado” para presentes recebidos por presidentes em exercício.

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Oliveira argumentou que, até que uma lei clara seja estabelecida, não há fundamentação jurídica para que tais presentes sejam considerados bens públicos. “Não há crime sem lei anterior que o defina. Agora, diante da inexistência da norma, estou afirmando categoricamente que até o presente momento não existe uma norma clara que trate de recebimento de presentes por parte de presidentes da República e na ausência da norma. Não me cabe legislar”, afirmou o ministro.

A interpretação de Oliveira foi apoiada pelos ministros Vital do Rêgo Filho e Aroldo Cedraz, além de outros dois ministros que frequentemente votam alinhados com as ideias defendidas pelo grupo bolsonarista.

Esses ministros são: Jonathan de Jesus, indicado pelo senador Ciro Nogueira (PP), ex-ministro da Casa Civil; e Augusto Nardes, que, em 2022, enviou a amigos um áudio no WhatsApp mencionando um “movimento forte nas casernas” após manifestantes bolsonaristas protestarem em frente a quartéis pedindo intervenção militar contra a vitória de Lula nas eleições. O áudio foi revelado pelo jornal Folha de S.Paulo.

O resultado do julgamento tem repercussões diretas para Bolsonaro. O ex-presidente foi indiciado pela Polícia Federal por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, acusado de se apropriar indevidamente de presentes dados por autoridades estrangeiras.

De acordo com o apurado pelo jornal O Globo, o time jurídico de Bolsonaro planeja utilizar o entendimento do TCU no caso do relógio de Lula como fundamentação para sua defesa no inquérito das joias sauditas, argumentando que a falta de uma legislação específica deve resultar em tratamento similar para ambos os casos.

Na petição apresentada na semana passada à Procuradoria-Geral da República (PGR), os advogados de Bolsonaro mencionaram o episódio do relógio de Lula para argumentar que o inquérito das joias, conduzido por Alexandre de Moraes, deveria seguir os mesmos critérios aplicados a Lula, que recebeu o relógio durante o ano do Brasil na França.

Divergência entre ministros

]A ala bolsonarista do TCU derrotou o relator Antonio Anastasia, que defendeu o direito de Lula manter o relógio com base em uma tese que não ajudaria Bolsonaro no caso das joias sauditas.

Anastasia argumentou que, em 2005, quando Lula recebeu o relógio, não havia a regra do TCU de 2016, que só permite que ex-presidentes levem itens pessoais e de baixo valor ao deixar o cargo. Ele ressaltou que Lula poderia ficar com o relógio devido à inexistência da regra na época.

No entanto, Anastasia destacou que é contra os princípios de razoabilidade e moralidade administrativa um presidente se apropriar de bens valiosos recebidos em missões oficiais, ponto em que discordou da ala liderada por Oliveira. Somente o ministro-substituto Marcos Bemquerer apoiou Anastasia.

Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #Relógio de LulaTCU
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