Para a astrobióloga francesa Nathalie Cabrol, diretora do Centro de Pesquisa Carl Sagan do SETI (sigla em inglês para Instituto de Busca por Inteligência Extraterrestre), “Marte ainda tem algumas grandes surpresas”, em relação à possibilidade de vida fora da Terra.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Nathalie foi questionada sobre qual lugar do sistema solar ela acredita ter mais chances de se encontrar vida. A resposta da especialista é que o planeta vermelho é o mais promissor:
— Acredito que Marte ainda tem algumas grandes surpresas para nós. Elas não estarão na superfície, mas, ao contrário de muitas pessoas, não acho que estarão tão abaixo. Ainda há vulcanismo em Marte e sabemos que há água e muitos nutrientes – magnésio, potássio e assim por diante. Em outros lugares do sistema solar, Europa (uma lua de Júpiter) pode ter um oceano oxigenado que pode oferecer uma chance de evolução de vida mais complexa. Ela também tem fontes de carbono.
Para além do sistema solar, ela conta que a descoberta dos exoplanetas tem mostrado que “embora provavelmente não exista uma réplica exata da Terra em qualquer lugar do universo, há ambientes que provavelmente são tão adequados para a vida, ou até mais”.
Ela explica ainda por que tem tanta certeza de que há vida fora da Terra: — Estamos procurando intelectualmente por vida há milhares de anos, mas estamos procurando de forma significativa com tecnologia há apenas 60 anos, portanto, essa é uma busca muito jovem — conta.
— Mesmo que, por algum milagre, (formas de vida alienígena) estejam pensando e se comunicando de maneira semelhante à nossa e estejam interessadas no que está acontecendo ao seu redor, nossa bolha de rádio tem apenas 200 anos-luz de diâmetro. Isso é pequeno. Além disso, há o fato de que estamos procurando vida, mas não sabemos realmente o que é vida, inteligência ou, muito menos, consciência. Não temos a menor ideia do que são essas três coisas. Ainda estamos procurando por elas, o que é bom, porque, caso contrário, não vamos a lugar algum — continua.
A especialista comentou ainda sobre o que pensa do objetivo do bilionário Elon Musk de colonizar Marte. Para ela, “a ideia de colocar postos avançados em outro planeta porque estamos fugindo do nosso é um insulto ao espírito de exploração”:
— Os migrantes geralmente se mudam porque estão desesperados por melhores condições. Esse não é o caso de Marte. É muito pior. Acho que devemos ir a Marte não porque é uma fuga fácil, mas porque crescemos e estamos usando-o como um campo de treinamento para uma civilização muito mais adulta dar seus primeiros passos para se tornar interplanetária e, mais tarde, interestelar. Mas também devemos usar toda essa tecnologia para olhar para trás, para a Terra.
Da Agência Fonte Exclusiva, com informações do Jornal O GLOBO.








