Levantamento de fundação ligada ao Ministério do Planejamento diz que programa social de Campos-RJ tem efeito multiplicador e destaca que reajuste da tarifa trará impacto negativo no PIB
Da redação
A prefeitura de Campos dos Goytacazes propõe reajustar a passagem social em 100%, mas vai provocar um efeito colateral na economia, reduzindo a poupança do trabalhador e a circulação de recursos no comércio na ordem de R$ 28 milhões ao ano, diz estudo do Instituto de Política Econômica Aplicada (IPEA).
O IPEA é uma fundação pública federal vinculada ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. O levantamento dos pesquisadores Marco Cavalcanti e Luciano Vereda destaca que transferência social, apesar de reiteradas críticas de setores da classe média, não é caridade em economia. Segundo eles, para cada R$ 1 de gastos públicos em transferências sociais, mais R$ 0,60 se multiplicam diretamente no PIB de uma cidade.
Há oito anos, no governo da ex-prefeita Rosinha Garotinho, o município implantou o sistema de passagem social, com o passageiro pagando R$ 1 e o município complementando com o repasse de R$ 1,75 as empresas. Projeto enviado pelo prefeito Rafael Diniz (PPS) à Câmara de Vereadores propõe um reajuste de R$ 100, o que elevaria o valor da tarifa para R$ 2. A proposta está sendo duramente combatida pelas redes sociais. Dois vereadores já manifestaram posição contrária ao projeto, Joilza Rangel e Álvaro Oliveira.
Para os pesquisadores do IPEA, passando para R$ 2 a tarifa, a Prefeitura deixa de investir R$ 1,5 milhão em transferências sociais/mês no sistema de mobilidade, ou R$ 18 milhões/ano. “Esse custo passará ao trabalhador, reduzirá sua poupança e a circulação de recursos no comércio”, diz o estudo.
Os pesquisadores calculam o efeito multiplicador do programa social. “Se a Passagem Social se mantivesse em R$ 1, os R$ 18 milhões teriam impacto multiplicador na formação do PIB, se tornando mais R$ 10 milhões em apenas um ano”, diz IPEA.
“É como se a Prefeitura de Campos fizesse a escolha por desperdiçar recursos e não por sua racionalização. Se você considerar o volume de R$ 18 milhões em um investimento, ele geraria R$ 10 milhões de retorno em 12 meses, com acréscimo no PIB, mais que a poupança, por exemplo, que renderia apenas R$ 1,2 milhão no mesmo período”, afirma o estudo.
*Agência VIU!








