Especulação imobiliária estaria operando para aprovar novo zoneamento urbano em Macaé-RJ
Da redação
A reportagem de capa da edição de junho da revista VIU! denuncia as manobras de empresários, alguns vereadores e agentes públicos para aprovar um novo zoneamento urbano na cidade de Macaé, no Norte Fluminense. O projeto beneficia os interesses da especulação imobiliária.
A cidade que sofre os efeitos da crise que atinge o setor petrolífero deve recuperar-se economicamente com a produção de gás, porque o hidrocarboneto que está em falta no mercado e consumo em alta, ainda existe em abundância na Bacia de Campos.
Portanto, as terras por onde passarão os dutos para canalização do produto serão vendidas ou alugadas a preços de ouro. O zoneamento proposto na Câmara de Vereadores, segundo a reportagem, estaria delimitando como zona industrial as terras do empresário Fabiano Crespo, proprietário da Empresa Brasileira de Terraplanagem e Engenharia (EBTE), a mesma empresa que vendeu a Marina da Glória para Eike Batista, um negócio que não se concretizou por decisão da justiça. Por essas terras, em tese, passariam os dutos do gás.
O empresário Fabiano Crespo, segundo assessoria de imprensa da ETBE, já tem licenciamento para construir um Complexo Logístico, com instalação de três usinas de geração de energia movidas gás. Assessoria também nega que a empresa tenha interesses em especulação imobiliária. A EBTE comprou o projeto do Porto do Barreto da Queiroz Galvão por cerca de R$ 10 milhões.
Macaé sediará entre os dias 20 e 23 de junho a 9ª edição da Feira Brasil Offshore, um dos maiores eventos do setor de petróleo e gás na América Latina. As projeções para exploração do gás deverão dominar boa parte dos debates. Empresas como Shell e outras gigantes do setor devem se instalar na cidade para a chamada segunda onda da Bacia de Campos.
Para aprovar o zoneamento, a especulação vende o sonho de um Porto no bairro Barreto, considerada a Faixa de Gaza, devido a forte presença de facções criminosas no bairro Lagomar, região próxima. Mas, para exploração e comercialização de gás, segundo a reportagem, a cidade vai precisar de dutos e de terras para instalação.
A revista entrevistou o professor da Uenf, Marcos Pedlowski, que definiu a iniciativa como mais uma tentativa de espoliação imobiliária.
“É sempre assim. Esses investimentos portuários funcionam como cortina de fumaça. Isso tudo, na verdade, é uma jogada fundiária. Estão de olho na terra, com aconteceu no Açu, em São João da Barra, como acontecerá em Presidente Kennedy, no Espírito Santo, e fatalmente em Macaé”, explica Pedlowski.
“No Açu expulsaram os produtores de suas terras e a empresa que explora o porto ganha mais com aluguel de terras. Por conta do porto de Kennedy estão tentando expulsar os quilombolas das terras em São Francisco de Itabapoana,” disse.

A reportagem aponta os vereadores Maxwell Vaz e Luiz Fernando como os parlamentares com maior interesse na aprovação do zoneamento. Vaz teria ligações próximas com o empresário Fabiano Crespo e o ex-diretor da Petrobras, Eduardo Carramenha, apontado como lobista no projeto de zoneamento urbano.
A edição impressa do mês de junho da revisa VIU! começa a circular a partir desta segunda-feira (5).








