Dez anos após o homicídio de Claudia Silva Ferreira, arrastada por uma viatura da PM por 350 metros na Zona Norte do Rio após ser baleada durante uma operação, os agentes acusados do crime foram absolvidos pela Justiça.
A investigação da Polícia Civil concluiu que o tiro que atingiu Claudia partiu do ponto onde estavam os policiais. No entanto, para o juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 3ª Vara Criminal, no momento em que a mulher foi baleada, os PMs trocavam tiros com traficantes.
“Os acusados agiram em legítima defesa para repelir a injusta agressão provocada pelos criminosos, incorrendo em erro na execução, atingindo pessoa diversa da pretendida”, escreveu Abrahão.
Respondiam pelo homicídio e foram absolvidos o capitão Rodrigo Medeiros Boaventura, que comandava a patrulha, e o sargento Zaqueu de Jesus Pereira Bueno. Ambos responderam o processo em liberdade. Após a absolvição, Boaventura ganhou um cargo na Vice-Governadoria do estado.
Segundo o Diário Oficial, no último dia 14, ele foi nomeado superintendente no órgão. Antes, ele ocupava um cargo no Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Já o sargento Bueno segue na PM. Em 2020, ele chegou a ser preso sob a acusação de integrar uma milícia na Zona Norte do Rio.
Também foram absolvidos pelo crime de fraude processual, sob a acusação de terem removido o corpo de Claudia para modificar a cena do crime, os subtenentes Adir Serrano e Rodney Archanjo — ambos atualmente reformados —, o sargento Alex Sandro da Silva e o cabo Gustavo Ribeiro Meirelles. Segundo o magistrado, “eles tentaram socorrer a vítima de imediato, em que pese vários populares agirem de modo a impedir o socorro”.
Na mesma decisão, o juiz pronunciou a júri popular Ronald Felipe dos Santos, acusado de ser o traficante que trocou tiros com os agentes naquele dia. Ele é acusado de atirar contra os policiais. A sentença é do último dia 22 de fevereiro.
A auxiliar de serviços gerais tinha quatro filhos e foi baleada no pescoço e nas costas depois de sair de sua casa, no Morro da Congonha, em Madureira, para comprar pão.
Após Claudia ser atingida, os agentes do 9º BPM (Rocha Miranda) que participavam da operação, a colocaram na mala da viatura, a pretexto de socorrê-la. No trajeto, a porta do compartimento abriu e a mulher foi projetada para fora. Um motorista filmou a cena: as imagens mostram a mulher pendurada no para-choque do veículo apenas por um pedaço de roupa na Estrada Intendente Magalhães. Apesar de alertados por pedestres e motoristas, os PMs não pararam.
A família de Claudia, cansada de conviver com a lembrança da mulher baleada a poucos metros da porta de casa, deixou a favela. O viúvo, Alexandre da Silva, e os filhos da auxiliar de serviços gerais fizeram um acordo com o governo, receberam uma indenização e se mudaram para a Zona Oeste da cidade.
Com informações do g1.








