Vítima da violência contra a mulher, há pouco mais de quatro anos Aline Guimarães foi alvo de uma tentativa de feminicídio dentro da própria casa, em Taubaté (SP). Ela foi esfaqueada mais de 70 vezes pelo ex-companheiro, que não aceitava o término da relação.
Nesta terça-feira (12), o homem que atacou a ex-namorada com mais de 70 facadas deixou a prisão para a saída temporária, pela primeira vez desde que foi condenado pela Justiça. Ele foi beneficiado com a progressão para o regime semiaberto no início do ano.
Aline Guimarães afirma que mesmo com o tempo que se passou desde o crime, ela se sente insegura e contou os desafios que enfrenta enquanto tenta recomeçar.
“Eu me sinto insegura. Ele fica solto e eu acabo ficando presa. Diante da gravidade da situação e de tudo que eu passei, acho que o que restou da pena foi pouco. Com ele na rua, menos de cinco anos (depois do crime), eu fico apreensiva, bastante preocupada”, contou.
Aline narra que como parte do processo para tentar superar o ocorrido, ela precisou vender a casa em que morava – onde aconteceu o crime – e hoje faz acompanhamento psicológico.
“Eu precisei vender a minha casa, onde tudo aconteceu, porque eu não tinha mais condições de viver lá. Vou viver esse trauma eternamente, com medo. Eu passei por várias etapas, da aceitação da cicatriz, da etapa também psicológica, do medo de arrumar alguém que tivesse esse lado abusivo. Eu resolvi realmente cuidar de mim, cuidar da minha saúde e desfoquei de relacionamento”, afirma.
Além do trauma psicológico, Aline ainda convive também com as sequelas físicas do ataque. Ela perdeu um pouco de sensibilidade do lado esquerdo do corpo e tem cicatrizes pelo corpo todo.
“Os órgãos vitais foram afetados, inclusive o coração. Tenho cicatrizes da facada e uma outra bem grande onde os órgãos foram costurados na cirurgia”, lembra.
Apesar das dificuldades, Aline diz que encontra força em outras mulheres para vencer as complicações diárias. Ela diz que sente gratidão cada vez que consegue ressignificar o que passou para ajudar outras mulheres que estão em relacionamentos abusivos, por exemplo.
“Todo novo dia é um desafio muito grande. Eu nunca quis parar, nunca quis desanimar, mas é tudo desafiador. Me falam que sou forte, acho que adquiri muita experiência e hoje é muito bom pra mim poder passar a minha experiência pra outras mulheres, para poder dar conselhos ou mesmo desabafar”, diz.
“É muito gratificante poder ajudar outras mulheres. Hoje, eu jamais aceitaria alguém erguendo tom de voz comigo ou tendo um relacionamento abusivo”, conclui.
Cleiton Duda dos Santos está preso desde setembro de 2019, na P2, em Tremembé, e deve retornar à prisão na próxima segunda-feira (18), data de encerramento da primeira saidinha temporária do ano.
As informações são do g1.








