A empresa de chocolates Cacau Show anunciou ontem a compra de todas as marcas e ativos do Grupo Playcenter, que atua no setor de parques de diversão no Brasil. O valor do negócio não foi revelado. Após os hotéis de luxo, a aquisição marca um avanço da empresa no setor de entretenimento. Ao Valor, Alexandre Costa, fundador e diretor executivo da
companhia, que agora se define também como “parqueiro”, diz estar com os pés no chão, mas não esconde o entusiasmo, “estamos construindo a fantástica fábrica de chocolate.” As duas companhias ainda aguardam a análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para avançar com o processo de fusão. Costa adianta que os dois sócios que tocam o negócio devem continuar em suas funções, bem como os demais funcionários do parque.
Há algum tempo a Cacau Show tem focado na experiência do cliente, com a inauguração de lojas cada vez maiores e mais interativas, explica Costa. Para o executivo, a entrada no setor de entretenimento foi um movimento natural diante desse processo. O primeiro passo foi dado com a aquisição de dois resorts com temáticas inspiradas no cacau e no chocolate no Estado de São Paulo – um em Campos do Jordão, interior do Estado de São Paulo, e outro em Águas de Lindoia, considerada a capital termal do Brasil. Agora, a empresa avança com a aquisição do Grupo Playcenter.
“As lojas continuarão sendo nossas grandes vacas leiteiras, mas esses empreendimentos têm grande perspectivas de crescimento”, diz Costa. Atualmente, as receitas da hotelaria somam R$ 100 milhões, enquanto e a dos parques recém-adquiridos R$ 120 milhões, uma fatia pequena diante dos R$ 4 bilhões de faturamento que a companhia apresenta hoje em dia.
Segundo Costa, a expectativa é que em um horizonte de dez anos o setor de entretenimento represente algo em torno de 20% a 30% da receita do grupo.
As negociações com o dono do Grupo Playcenter, Marcelo Gutglas, começaram em setembro do ano passado e foram feitas diretamente entre as equipes da Cacau Show e de Gutglas, sem intermediação de assessores ou bancos. O empresário, que procurava um comprador para o seu negócio, já que a idade avançava e as filhas não seguiriam no ramo, encontrou no fundador da Cacau Show “a pessoa certa” para vender o negócio de mais de 50 anos.
“As lojas vão continuar sendo nossas grandes vacas leiteiras”
— Alexandre Costa
O tradicional parque de diversão foi criado em 1973, na capital paulista, e ficou conhecido nacionalmente como Playcenter, o primeiro de grande porte do Brasil, localizado na capital paulista. O empreendimento funcionou por 39 anos até ter suas atividades encerradas em 2012. Dois anos antes, Gutglas já atuava no segmento.
Desde então, o grupo passou a investir no que chamou de “novo conceito”. Começou com o Playcenter, parque de diversões para dentro dos shoppings, passando pelas piscinas de bolinhas gigantes, que depois evoluíram para o Kidzland, espaço com um brinquedo inflável, envolto por bolinhas e escorregador. O empreendimento mais recente foi o Playcenter Family, parque voltado para a família, na capital paulista.
O processo de incorporação dos parques ao projeto da Cacau Show será executado em etapas. Inicialmente serão introduzidos espaços de alimentos e bebidas da Cacau Show, através de serviços que ofereçam fondues, waffles e chocolates, além da tematização de algumas atrações,
com personagens da marca. No longo prazo, Costa diz que sonha em construir a fantástica fábrica de chocolate brasileira, como a do filme de Tim Burton lançado em 2005. “Esse é o meu sonho, mas nesse momento estamos fazendo planos de negócio”, afirma. O executivo pondera que um parque dessa magnitude envolveria valores de ingressos elevados, o que não condiz com a realidade da maioria dos brasileiros.
Recentemente, a Cacau Show também arrematou o terreno que abriga a antiga fábrica da falida Chocolates Pan por R$ 70 milhões. O grupo levou o espaço de 10,4 mil metros quadrados localizado na cidade de São Caetano do Sul (SP) em um leilão judicial no fim do ano passado.
Nos últimos anos, o mercado de parques de diversões no Brasil sofreu com alto endividamento e queda de tráfego de clientes, especialmente após a pandemia, e o negócio se tornou um grande desafio para as operadoras.








