A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, acionou o Ministério da Justiça para apurar ameaças e ataques de ódio dirigidos a ela desde o início da semana nas redes sociais.
Ela também pediu proteção policial e escolta enquanto durarem as ameaças.
O Ministério da Igualdade Racial informou que os ataques se intensificaram após a repercussão da agenda da ministra no último domingo (24), quando ela teve compromisso oficial na final da Copa do Brasil, em São Paulo.
Anielle participou da assinatura de um acordo com a Confederação Brasileira de Futebol para ações de combate ao racismo.
Depois da partida, uma assessora da ministra publicou fotos na internet com deboches e ataques à torcida paulista. O Ministério da Igualdade Racial demitiu a assessora na terça-feira (26).
O Ministério da Justiça informou que recebeu o pedido de Anielle e vai acionar a Polícia Federal nesta sexta (29) para iniciar as investigações.
Demissão de assessora
Marcelle Decothé exercia o cargo de assessora especial de Assuntos Estratégicos da pasta.
Em seu perfil no Instagram, Marcelle Decothé publicou um story – postagem temporária – com foto da torcida do São Paulo chegando no estádio do Morumbi.
A imagem foi acompanhada da seguinte legenda, em linguagem neutra (sem gênero definido): “Torcida branca, que não canta, descendente de europeu safade. Pior tudo de pauliste”.
Em nota divulgada na terça, o Ministério da Igualdade Racial disse ter “compromisso inegociável com a promoção de direitos e com a igualdade étnico-racial, a partir de princípios como a transparência e o cuidado”.
‘Mesmo fim da irmã’: as mensagens que Anielle recebeu antes de pedir escolta; veja prints
Os textos, levados pela auxiliar de Lula ao Ministério da Justiça, fazem referência aos posts que levaram à demissão da assessora dela, Marcelle Decothié, com críticas à torcida do time paulista. Parte deles menciona Marielle Franco, irmã da ministra.
“Tomara que tenha o mesmo fim da irmã… Nenhuma das inúteis fará falta”, escreveu um usuário à Anielle no Instagram (veja os prints abaixo), em referência ao assassinato de Marielle, em março de 2018. Essa mesma pessoa continuou: “Piranha (…). Aqui é São Paulo, sua vaca suja”.
Outra sequência de mensagens, de autoria diferente, diz: “Vagabunda. Vadia (…). Por que você não estava naquele carro?” — uma alusão à cena do crime em que a ex-vereadora do PSOL no Rio de Janeiro foi morta, no banco de trás de um veículo. “Tu tem que morrer igual tua irmã, sua vaca”, enviou um terceiro usuário. “Satanás te espera junto com sua irmã”, completou um quarto.
A pasta de Flávio Dino vai acionar o PF nesta sexta-feira para investigar esses conteúdos.










