A Volkswagen está avaliando uma mudança em sua estratégia tecnológica para os próximos anos. A fabricante alemã considera utilizar sistemas desenvolvidos por parceiros chineses em parte dos veículos que serão lançados na Europa, reduzindo a dependência de soluções criadas em parceria com a norte-americana Rivian.
A informação foi publicada na segunda-feira (26) pela revista alemã Manager Magazin, com base em relatos de pessoas familiarizadas com as discussões internas da companhia.
Segundo a reportagem, a mudança poderia representar uma economia entre € 4 bilhões e € 5 bilhões, além de acelerar o desenvolvimento de novos modelos.
A proposta ainda está em análise e não foi anunciada oficialmente pela Volkswagen como uma decisão definitiva.
Mudança pode alcançar 75% dos futuros veículos
De acordo com a publicação alemã, Thomas Schäfer, presidente da marca Volkswagen, preparava uma proposta para ampliar o uso de tecnologias desenvolvidas na China.
O plano poderia alcançar aproximadamente três quartos dos veículos de próxima geração das marcas Volkswagen, Skoda e Cupra, integrantes do grupo alemão.
A ideia seria utilizar uma arquitetura eletrônica e de software compartilhada, capaz de atender diferentes modelos e reduzir os custos de desenvolvimento.
Nos automóveis modernos, esses sistemas controlam funções que vão desde a conectividade e o entretenimento até o gerenciamento eletrônico de componentes e as atualizações remotas.
Com o crescimento dos veículos elétricos, o software passou a ter um papel cada vez mais importante na experiência dos motoristas e na competitividade das fabricantes.
Parceria com chinesa Xpeng ganha importância
A Volkswagen já trabalha com a fabricante chinesa Xpeng no desenvolvimento de tecnologias para veículos destinados ao mercado asiático.
A colaboração faz parte da estratégia da montadora alemã para fortalecer sua presença na China, onde a concorrência entre fabricantes de carros elétricos é intensa.
Segundo a Manager Magazin, os sistemas desenvolvidos nessa parceria demonstraram capacidade de adaptação a diferentes plataformas automotivas.
Esse resultado teria aumentado o interesse da Volkswagen em avaliar a utilização das soluções também nos veículos europeus.
Atualmente, a empresa mantém diferentes estratégias de desenvolvimento tecnológico conforme o mercado.
Na China, aposta em parcerias locais. Em outros mercados, a colaboração com a Rivian ocupa uma posição importante no desenvolvimento de software e arquiteturas eletrônicas.
A possível ampliação da tecnologia chinesa representaria uma revisão dessa divisão.
Economia pode chegar a € 5 bilhões
Um dos principais motivos para a mudança seria a redução dos investimentos necessários para desenvolver novos sistemas digitais.
A estimativa apresentada pela revista alemã aponta uma economia potencial entre € 4 bilhões e € 5 bilhões.
O valor considera a possibilidade de aproveitar tecnologias já desenvolvidas, diminuindo despesas com engenharia, integração de componentes e desenvolvimento de software.
A estratégia também poderia reduzir o tempo necessário para lançar novos automóveis.
Entretanto, a economia projetada dependerá de fatores como aprovação interna, adaptação às normas europeias e compatibilidade com os veículos planejados.
A utilização de sistemas desenvolvidos na China também exigiria avaliações relacionadas à proteção de dados, à segurança digital e aos requisitos técnicos do mercado europeu.
Parceria com Rivian pode ser revista
A Volkswagen mantém uma colaboração estratégica com a Rivian, fabricante norte-americana de veículos elétricos.
O acordo foi criado para desenvolver arquiteturas eletrônicas e sistemas de software destinados a automóveis de nova geração.
A parceria é considerada uma das iniciativas da Volkswagen para superar dificuldades anteriores no desenvolvimento de tecnologias digitais próprias.
Caso a proposta relatada pela Manager Magazin avance, parte dos futuros modelos poderá utilizar sistemas chineses em vez das soluções desenvolvidas com a Rivian.
Isso, porém, não significa necessariamente o fim da parceria entre as duas empresas.
Até o momento, não há confirmação oficial de cancelamento do acordo ou de substituição integral das tecnologias norte-americanas.
Volkswagen busca reduzir custos e enfrentar concorrência
A discussão acontece em um momento de forte pressão sobre a indústria automobilística europeia.
As montadoras tradicionais enfrentam custos elevados de produção, necessidade de investimentos em eletrificação e concorrência crescente de fabricantes chinesas.
A Volkswagen vem estudando medidas para tornar suas operações mais eficientes e reduzir despesas.
Entre as iniciativas estão ajustes industriais, revisão de investimentos e mudanças na estrutura administrativa.
A utilização de tecnologias desenvolvidas por parceiros chineses poderia permitir que a companhia concentrasse recursos em outras áreas, como novos modelos, baterias e processos de fabricação.
Reestruturação também envolve operações industriais
As discussões sobre tecnologia fazem parte de um movimento mais amplo de reorganização do Grupo Volkswagen.
A empresa tem enfrentado debates sobre custos de produção, capacidade de suas fábricas e acordos trabalhistas na Alemanha.
Reportagens anteriores também mencionaram avaliações envolvendo diferentes marcas do grupo.
Essas possibilidades, no entanto, não devem ser confundidas com decisões já aprovadas.
A eventual adoção de software chinês na Europa permanece como uma alternativa em estudo.
Software se torna peça central dos novos carros
A possível mudança de estratégia mostra como a tecnologia digital passou a influenciar diretamente a indústria automobilística.
Nos veículos atuais, principalmente nos elétricos, o software participa do gerenciamento de energia, da integração de sistemas eletrônicos e de diferentes funções de segurança e conectividade.
Isso faz com que o desenvolvimento tecnológico tenha peso crescente no custo final dos automóveis.
Para a Volkswagen, aproveitar sistemas criados por parceiros chineses pode representar uma oportunidade de reduzir despesas e acelerar lançamentos.
A decisão, entretanto, dependerá das avaliações internas da montadora e das condições necessárias para adaptar a tecnologia aos futuros veículos europeus.
*Da Agência Fonte Exclusiva






