Pela primeira vez, o Brasil terá uma equipe formada por estudantes e pesquisadores nacionais em uma competição internacional de futebol disputado por robôs humanoides. A delegação brasileira viajou para a China para participar do World Humanoid Robot Games, que será realizado em Pequim entre os dias 22 e 26 de agosto.
O grupo reúne integrantes de cinco universidades brasileiras e competirá na categoria Humanoid Adult Size Soccer (Large), destinada a robôs humanoides de maior porte. Além do Brasil, equipes da China, Tailândia, Malásia, Itália, México e Alemanha participarão da disputa.
Robôs precisam tomar decisões durante as partidas
A competição vai além da movimentação dos robôs em campo. Os pesquisadores precisam desenvolver sistemas que permitam às máquinas interpretar o ambiente e reagir de maneira autônoma às diferentes situações encontradas durante uma partida.
Para isso, os projetos utilizam recursos de inteligência artificial, robótica, processamento de informações e controle de movimentos. Os robôs precisam identificar a bola, reconhecer a posição de companheiros e adversários e escolher ações de acordo com o que acontece no jogo.
A capacidade de tomar decisões em tempo real é um dos principais desafios tecnológicos da modalidade. Diferentemente de uma máquina controlada diretamente por uma pessoa, os sistemas precisam processar as informações captadas pelos sensores e definir os movimentos que serão executados.
Participação brasileira também tem objetivo científico
Segundo o técnico da equipe, Flavio Tonidandel, vice-presidente da RoboCup Federation, a participação no evento também representa uma oportunidade de intercâmbio entre pesquisadores.
Durante a competição, a delegação brasileira pretende compartilhar experiências e acompanhar os trabalhos desenvolvidos por estudantes e especialistas de outros países que atuam na área de robótica humanoide.
Os treinamentos e as partidas também permitirão avaliar, em condições de competição, tecnologias desenvolvidas por universidades e centros de pesquisa brasileiros.
Futebol como laboratório para inteligência artificial
O uso de robôs humanoides em partidas de futebol cria um ambiente para testar diferentes tecnologias simultaneamente. Os equipamentos precisam se movimentar, manter o equilíbrio, identificar objetos e pessoas, interpretar informações do ambiente e executar ações coordenadas.
A dinâmica imprevisível de uma partida também exige que os sistemas sejam capazes de reagir rapidamente às mudanças. A posição da bola, dos adversários e dos próprios companheiros pode mudar constantemente, obrigando os robôs a recalcular suas ações.
Além do aspecto esportivo, essas experiências contribuem para pesquisas relacionadas à autonomia de máquinas e à aplicação de inteligência artificial em sistemas robóticos.
Brasil amplia presença em competições de robótica
A estreia brasileira no World Humanoid Robot Games coloca estudantes e pesquisadores do país em contato com equipes internacionais dedicadas ao desenvolvimento de robôs humanoides.
A competição em Pequim também representa uma oportunidade para apresentar tecnologias desenvolvidas no Brasil e acompanhar avanços realizados por outros centros de pesquisa.
Mais do que disputar partidas, a participação brasileira permitirá testar soluções de inteligência artificial e robótica em um ambiente que exige autonomia, percepção do espaço e capacidade de tomada de decisão em tempo real.
*Da Agência Fonte Exclusiva






