Denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal detalha como os amigos de Sérgio Cabral operam no legislativo do Estado do Rio de Janeiro;

Fonte: Youtube – Claudia Freitas

Uma testemunha entrevistada pelo Portal VIU! aponta o presidente da Comissão Permanente de Licitações da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) como braço-direito do ex-governador Sérgio Cabral Filho em esquemas de corrupção e ligado a nomes inéditos e casos ainda não detalhados na Operação Lava Jato no Estado.

Em meio a avalanche de denúncias e escândalos que levaram à prisão o ex-governador e membros da sua cúpula do PMDB, a testemunha revela que a frente das negociatas no suposto esquema estariam amigos de Cabral desde a época da juventude. Essas pessoas, segundo ela, também passaram por cargos no Palácio Guanabara, sede do governo estadual.

A testemunha também levanta suspeitas sobre a morte supostamente acidental de Thais Garcia, há 10 anos, na cachoeira dos Primatas, no Jardim Botânico. Sobrinha de Sérgio Ruy Barbosa, na época ela fazia ameaças de entregar o esquema do governo Cabral. 

Ela diz que conviveu, por mais de 10 anos, muito próxima d de dois homens que seriam “os mais importantes braços-direitos do esquema financeiro de Cabral”. Relata que também frequentou sofisticadas festas promovidas pelo ex-governador, onde os negócios obscuros eram alinhavados e até chegou à direção de uma empresa que teria sido usada para lavar dinheiro na rede de corrupção.

Os depoimentos atingem o “coração” do legislativo estadual, que já está no âmbito da Operação Java Jato, desde que o ex-presidente Jorge Picciani e mais dois parlamentares foram presos pela força-tarefa.

Os documentos reunidos pela denunciante foram encaminhados ao Ministério Público Federal no Rio e anexado a um relatório detalhado dos fatos. O material foi encaminhado pelo órgão ao Ministério Público Estadual, em maio deste ano, com pedido de providências.

EMPRESAS CITADAS

A testemunha destaca que um dos sustentáculos do esquema de corrupção na era Cabral foi a participação da empresa HLA Comunicação por meio de contratos com o governo estadual e Alerj.

A empresa foi constituída em 1980, pelo ex-secretário de Gestão e Planejamento da gestão Cabral e de Fazenda do governo de Luiz Fernando Pezão, Sérgio Ruy Barbosa, tendo como sócio o seu primo, Henrique Garcia Lima, atual subsecretário Adjunto de Tecnologia da Informação, órgão da Subsecretaria Geral de Fazenda, responsável pela implantação do sistema de biometria no Rio.

Em 1995, a HLA Comunicação foi transferida para Thereza Rejane Baumann e Hamilton Amorim de Lima, respectivamente, mulher e pai de Henrique. Hamilton Amorim é o atual presidente da Comissão Permanente de Licitações da Alerj. No cadastro na Junta Comercial, a HLA funciona em um escritório do edifico 156 da Avenida Rio Branco, uma das principais vias do Centro.

Antes de implantar o projeto da TV Alerj, em 2004, Hamilton Amorim trabalhava com o atual diretor-geral da Casa Legislativa, José Geraldo Machado, na Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). Na Alerj, a fonte revela que a dupla teria implementado o esquema conhecido como “pedágio”, que representa a devolução de parte do salário de funcionários e verbas parlamentares a um grupo de liderança.

A fonte conta que teve acesso a documentos sigilosos que constatam os desvios de verbas da TV Alerj, entre os anos de 2004 e 2010, através de “convênios superfaturados” com terceirizadas para operações técnicas, compras de equipamentos, além de supostas irregularidades com medidas do departamento financeiro. O dinheiro também fluía por meio de liberações de adiantamentos, despesas com pessoal, processo de compra de passagens aéreas nacionais e internacionais para uso pessoal de alguns funcionários que ocupavam cargos comissionados. Uma das contratadas seria a DIGILAB, principal fornecedora da TV. No esquema geral, as cifras supostamente desviadas, segundo relatos da testemunha, são milionárias.

 

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