No país com 63 milhões de endividados, o candidato à presidência Ciro Gomes promete um Refis para retirar os endividados pobres do Serasa;

Foto: Estadão

Sessenta e três milhões de brasileiros e brasileiras (42% da população adulta do país) atrasam, sistematicamente, suas contas e vivem pendurados no SPC/Serasa. O crescimento da inadimplência decorre dos juros estratosféricos praticados no país da jabuticaba (e dos lucros bancários abusivos), do alto desemprego, da redução da renda familiar e também pelo corte nas políticas públicas de transferência de renda para os mais pobres.

Metade das dívidas que se arrasta  são contraídas com a rede bancária e demais instituições financeiras e se referem a atrasos no pagamento do financiamento de veículos, cartão de crédito, do cheque especial e dos empréstimos pessoais. Vigora, ainda, a inadimplência com as contas de água, luz, telefone, internet e TV por assinatura.

A tendência global de finaceirização da vida, como forma de controle social ganha contornos dramáticos ao sul do equador estabelecendo um novo pária na sociedade desigual brasileira – o endividado e sua crônica dificuldade de superar essa condição humilhante.

A dívida é um elemento que produz subordinação e degradação na vida cotidiana das famílias. O trabalhador é hoje controlado pela dívida e passa a temer a perda da ocupação ficando sujeito às novas modalidades de disciplina e controle.

No debate da BAND, um candidato (Ciro Gomes) sugeriu encarar esse dilema e citou que, em média, o endividado deve apenas R$ 1.400. Entretanto, isso consome parte expressiva da renda familiar e trava o giro da economia popular. O candidato em questão, num lance de criatividade sugeriu, então, elaborar uma espécie de  “Refis dos pobres”, mediante a imediata liberação do compulsório dos grandes bancos, como forma de facilitar a oferta de liquidez que resolva essa chaga social que se alastra na sociedade brasileira. O encontro de contas, a juros módicos traria alívio às famílias endividadas e alguma paz social.

Não custa lembrar que além da concentração da riqueza e da desigualdade social abissal esta questão da inadimplência colabora/contribui para degradar, ainda mais, a qualidade de vida do cidadão comum de nossa sofrida nação.

 

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