Movimento vai lançar candidatos ao legislativo estadual e federal pelo PV e PSOL;

Em uma iniciativa pioneira no país, a união entre pessoas transexuais deu origem a uma organização política. A Frente Ampla Suprapartidária e Trans de Esquerda tem como diretriz um documento de compromisso firmado entre as pré-candidatas. O termo estabelece a ajuda mútua e solidariedade e sororidade no decorrer do processo eleitoral, nos campos do ativismo social, política e na construção de mandatos.

As pré-candidatas até o momento são a professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro, Jaqueline de Jesus, que vai concorrer a deputada estadual pelo PV, e Indianare Siqueira, que entra na disputa para uma cadeira na Câmara Federal, pelo PSOL. Em 2016, Siqueira ficou como suplente do PSOL/RJ, com 6.166 votos.

Foto: Agência Patrícia Galvão 

Segundo Jesus, a Frente tem várias metas voltadas às classes de travestis e transexuais. “Sempre são relegados [as duas categorias sociais] a segundo plano pelas diversas forças políticas”, justifica a professora. Ela esclarece que o termo de compromisso é parte do apoio comum às diversas atividades das candidaturas e do entendimento de que existe um imperativo ético da categoria em lutar de forma conjunta perante a disputa acirrada no cenário político.

“O contexto [atual] é de uma política ocupada por machistas, oligarcas e conservadores. Esta nossa meta está pautada por um espírito de unidade no sentido de derrotarmos as forças do retrocesso que encontram nos partidos políticos, principalmente as transfóbicas, que julgam a representatividade trans não digna de ser considerada em qualquer contexto social, especialmente no político”, afirma Jesus.

​A pré-candidata considera que a iniciativa histórica representa a consolidação de décadas de ações sociais em prol do movimento trans, visando a entrada na Política. “É a consagração da ideia que a nossa representatividade deve estar na política partidária, não só nos campos sociais. Deve ocupar os partidos e o Parlamento. Temos que nós mesmos nos representar neste setor, além de defender os interesses da sociedade, dos diversos segmentos sociais que concordam conosco, com um sistema político que não seja classista, excludente, racista, sexistas e que lute pela igualdade de fato e garantia da dignidade humana, acima de tudo”, diz a professora.

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