Em entrevista ao jornal O Dia, coordenador da força tarefa no Estado promete levar mais gente para cadeia em 2019, Leia mais:

Em entrevista ao jornalista Cássio Bruno, do informe O Dia, o coordenador da Lava Jato no Rio, o procurador da República  Eduardo El Hage, afirma que a força tarefa já tem uma grande quantidade de informações para retomar as operações contra a corrupção no Estado neste ano de 2019.

Já são três anos de trabalho desde que a Lava Jato chegou ao território fluminense. Aqui a força tarefa levou para prisão caciques políticos do Estado que montaram um aparelho de corrupção no âmbito do executivo e legislativo, e ao  que tudo indica, com envolvimento de figuras do ministério público e do poder judiciário.

Em Bangu 8 já estão confinados os ex-governadores Sérgio Cabral Filho, Luiz Fernando Pezão, sete deputado estaduais, empresários, doleiros e operadores. Contudo, como afirmava o jornalista Davi Nasser, “falta alguém em Nuremberg”. 

Para enfrentar essas organizações criminosas, El Hage lidera uma equipe com 11 procuradores. É pouco gente e muitos desafios pela frente. 

Existem alguns momentos esperados:

1 – Quando chegará a Lava Toga, ou seja, a fase de apurar os indícios de corrupção no judiciário? Este capítulo poderá chegar com a delação do ex-governador Sérgio Cabral, que já estaria sendo negociada.

2 – Outro momento chegar a inversão de capitais. Onde foram investidos todo o dinheiro sugado na corrupção? Certamente que houve inversão de capitais em negócios criados em nome de laranjas e também em imóveis, principalmente em Portugal, rota de muitos brasileiros encrencados.

3 – E a interiorização da força tarefa? É possível que ela chegue aos municípios. 

Confira trechos da entrevista de El Hage ao Informe O Dia:

O DIA: Como avalia o trabalho da Lava Jato, no Rio, em 2018?

EDUARDO EL HAGE: Avançou no desmantelamento da organização criminosa de Sérgio Cabral. Dando continuidade à Operação Calicute, foram deflagradas novas fases. Todas foram exitosas e renderão frutos em 2019.

Quais as características principais usadas nos crimes praticados por políticos do Rio?

Corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Foi a espinha dorsal que tomou conta do estado por décadas. Desvio de dinheiro público feito de forma organizada e profissional com a sua posterior ocultação, seja por meio de contratos simulados no Brasil ou operações dólar cabo para envio da propina para paraísos fiscais. Felizmente, a capacidade investigatória do MPF, que tem feito uso de modernas ferramentas, tem sido capaz de avançar no desmantelamento e recuperação do produto dos crimes.

O ex-governador Cabral negocia mesmo delação premiada?

Qualquer negociação de colaboração premiada é, por lei, sigilosa. Não é possível confirmar ou negar qualquer contato a esse respeito, seja com Cabral ou com qualquer outro denunciado.

Como seria a Lava Jato sem as delações?

Por não deixar qualquer rastro e ter a propina negociada a portas fechadas, é complexo de se investigar. A dificuldade é ainda maior quando é cometida por organizações sofisticadas e aparelhadas. A colaboração premiada, nesse contexto, foi fundamental para que o Brasil começasse a virar a página de sua história no tocante aos crimes de colarinho branco. No entanto, não é demasiado lembrar que a colaboração de nada vale sem provas e é apenas uma das ferramentas que têm sido utilizadas para investigação. Além dela, a parceria entre órgãos do Estado foi a pedra de toque da Lava Jato até então.

Seria possível levar políticos à cadeia sem as delações?

Com certeza, não. Sem a colaboração premiada, a sofisticação dos delitos praticados não permitiria que os órgãos de controle chegassem até onde chegaram.

O que a sociedade pode esperar da Lava Jato, no Rio, em 2019?

O desafio é enorme. Os esquemas estão sofisticados. A força-tarefa do Rio fará três anos, em 2019. Está de posse de uma quantidade grande de informações que nos possibilitarão avançar.

 

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