STF sustenta retirada de reportagens do blog de ​Marcelo Auler;

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu por manter a proibição a duas reportagens do blog do jornalista Marcelo Auler, ambas relacionadas ​à operação Lava Jato. Com a ​sentença​, entidades de classe estão se manifestado a favor do jornalista, considerado o caso de evidente censura à imprensa​. ​A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ​)​, a ​Associação Brasileira de Imprensa (​ABI​)​ e o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio​ de Janeiro demonstraram “preocupação” em relação ao caso​.

​”​Ao rejeitar a Reclamação nº 28.747, o ministro Alexandre de Moraes ressuscitou a censura no âmbito do STF. Atropelou, assim, decisões anteriores que sustentam que a Constituição Federal, ao estipular o direito da sociedade ser informada, não compactua com qualquer ataque à liberdade de expressão e de informação​”, destaca a nota do Sindicato​.​ ​A Fenaj e o sindicato frisaram que “não abrem mão do dever de defender o bom jornalismo que, acima de tudo, é um direito do cidadão​”​.​​

​O pedido de retirada das matérias partiu do juiz Nei Roberto de Barros Guimarães, do 8º Juizado Especial Cível do Paraná, acatando a solicitação da delegada Erika Mialik Marena.”No entendimento de Moraes, a decisão do juiz foi legal por não ter sido censura prévia, mas realizada a partir da análise do que foi publicado. Para ele, a censura é uma forma de reparação de dano. Com isto, ressuscita a censura que vários ministros do STF consideram inconstitucional, seja da forma que for. Joga por terra abaixo, por exemplo, a famosa frase da ministra Carmen Lúcia: ‘Cala boca já morreu'”, avalia o jurista Luís Guilherme Vieira, que defende Auler.

O jornalista teria destacado em uma das reportagens, publicada em 2016, que Érika Marena estaria vazando informações de investigações para jornalistas. A delegada entrou com ação de calúnia e difamação contra ​​Auler.

O repórter justificou que os  dados tiveram como base depoimento de testemunha em inquérito policial, sem qualquer cunho pessoal. Vieira ressalta que as apurações de Auler sobre vazamentos na Lava Jato também acompanha o depoimento do delegado da Policia Federal Paulo Renato de Souza Herrera. O policial ​teria ​afirma​do em oitiva que um vazamento para a ​Revista ​Veja lhe chamou a atenção, porque foi divulga​va uma  foto onde aparecia uma  agenda em ​cima de ​uma mesa padrão da Polícia Federal. Herrera disparou ainda que a colega tinha uma relação “inapropriada” com um jornalista da Folha de São Paulo, recebendo-o em sua sala, o que não é comum na PF​. ​

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