VÍDEO | Ex-ministro percorre o Brasil para lançar o primeiro volume do seu livro de memórias e diz que travessuras dos filhos de Bolsonaro “não terminarão bem”;

José Dirceu está percorrendo o país para lançar o primeiro volume do seu livro de memórias. “José Dirceu, volume I”, foi escrito durante o período em que o autor estava na prisão.

Dirceu foi preso em duas ocasiões: a 1ª vez por conta da condenação no processo do mensalão e depois quando foi sentenciado pelo ex-juiz Sério Moro na Lava Jato. Atualmente está livre por meio de uma liminar obtida na 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), mas as sentenças de Moro, somadas, chegam a 80 anos de inelegibilidade.

Ex-presidente do PT, um dos mentores e articuladores das campanhas exitosas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro é um grande pensador e analista da conjuntura política nacional e internacional.

Em recente entrevista ao jornalista Bob Fernandes, na TV Bahia (afiliada a TV Educativa), Dirceu arriscou algumas análises sobre o futuro do governo Bolsonaro. 

“Deixe ele sentar na cadeira. Aquela cadeira queima”, disse. Sobre os três filhos travessos do presidente (Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro), ele alerta: “isso não terminará bem”. Assista entrevista na íntegra:

*Fonte: TV Bahia 

O ex-ministro avalia o futuro do sucessor de Michel Temer com certa cautela. Diz que o Brasil está diante de um ambiente atípico, com um governo mesclado com representantes do poder judiciário, civil e militar. O que seria, em sua avaliação, algo mais inusitado do que a ditadura, tendo em vista que Bolsonaro (um ex-militar) foi eleito.

Dirceu também recomenda não subestimar Bolsonaro, porque ele cercou-se de figuras do mercado financeiro e de bons quadros do Exército, que juntamente com setores do judiciário, formou o triunvirato para garantir a vitória da extrema-direita na eleição. Na essência, no entanto, o ambiente lembra 64.

“Quando se começa a distribuir renda pelo Estado, assume uma postura de independência para integrar a América do Sul e se apodera de uma riqueza, como o pré-sal, vem as tentativas de desestabilizar governos, sabotar e derrubar. No caso de 64, foi um golpe militar, no caso de (20)16 foi um golpe parlamentar judicial, totalmente legitimado pelo Supremo e pelo Congresso, mas não deixa de ser um golpe. E a eleição de (20)18, é consequência do ciclo que se abriu em 2013 e de nossos erros nesse período”, comenta. 

Ele admite que a promessa de crescimento do PIB ecoada pela equipe econômica poderá até se concretizar. “Isso pode acontecer, como também aconteceu na ditadura. Mas geração de riqueza não significa que haverá distribuição de renda. São coisas completamente diferentes”, disse.

Na entrevista, com duração de 1 hora e 14 minutos, o ex-ministro lembrou que durante a ditadura, após o governo Médici, o país também consumava crescimento econômico, mas as condições sociais eram péssimas e o governo perdeu a eleição para a oposição.

Dirceu elogiou o papel de Fernando Haddad, candidato do PT na eleição presidencial, e acredita que ele ocupará um importante papel no campo da oposição ao governo.

A avaliação é de que a extrema-direita venceu no voto, mas construiu as bases da vitória com “a criminalização do PT”, beneficiando-se do forte aparato midiático, e consolidou o projeto com a prisão de Lula. Na entrevista, o ex-ministro também faz uma autocrítica de erros cometidos pelo partido durante o governo Lula e Dilma. Muitos desses erros, no entanto, ele atribuí a necessidade de se fazer um governismo de coalizão por não ter conseguido eleger maioria parlamentar. 

 

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