Fecomércio-RJ pode ter usado bancas de advocacias para pagar propina aos magistrados; Leia mais:

A Operação Lava Toga, se ela chegar, promete destrinchar as ligações pecaminosas entre bancas de advocacia, magistrados e ministros de tribunais superiores.

O mapa do caminho está na Lava Jato no Rio de Janeiro, onde a força tarefa está conseguindo reunir elementos para chegar ao que parece inalcançável: a corrupção no poder judiciário.

As investigações já localizaram uma fonte que abastecia um esquema milionário. O propinoduto jorrava do caixa da Federação do Comércio (Fecomércio-RJ), por meio de uma triangulação com dinheiro de duas entidades do sistema “S”, Sesc e Senac.

Segundo reportagem de Felipe Coutinho na revista Cruzoé (21/12/2018), pelo menos 44 bancas de advocacia receberam R$ 118 milhões da Federação entre os anos de 2012 e 2017. A entidade também é investigada por suspeita de operar no esquema de lavagem de dinheiro para o ex-governador Sérgio Cabral Filho, que está preso em Bangu 8.

O presidente, Orlando Diniz (foto acima) foi preso em uma das etapas da Lava Jato no Rio. Ele ganhou liberdade graças a uma liminar de Gilmar Mendes no STF. Posteriormente, negociou acordo de delação premiada, o que fez esgotar o estoque de Lexotan nas farmácias do Rio de Janeiro e Brasília.

“Os investigadores descobriram que da relação do ex-governador Sérgio Cabral com Orlando Diniz saíram pagamentos vultosos para o caixa de propina do emedebista. Nada menos que 7 milhões de reais foram repassados pela Fecomércio à mulher de Cabral, Adriana Ancelmo. Oficialmente, os repasses ocorreram a título de pagamentos por contratos de prestação de serviços jurídicos. Mas a Lava Jato suspeita que tudo não passava de fachada para encobrir mais uma frente de negócios do ex-governador”, diz um trecho da reportagem de Coutinho na Cruzoé  

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Alguns dos caminhos que podem deflagrar a Lava Toga são os pagamentos, como o que consta na rubrica “contratos de advocacia”, que inclui escritórios ligados a dois ministros do STJ. Só esses escritórios receberam R$ 13 milhões. Foi justamente no período em que a Fecomércio participou de uma guerra de liminares no Tribunal.

A banca que atualmente defende o ex-presidente Lula, segundo a Cruzoé, amealhou nada menos do que R$ 38 milhões. O contrato era destinado a obter uma “solução política” nos tribunais e “incluiu até a intermediação de um doleiro”.

Eurico Teles
Nota fiscal do escritório do presidente da OI, Eurico Teles, encontrada na Fecomércio-RJ

O escritório de advocacia do presidente da OI, Eurico Teles, também recebeu mais de R$ 5 milhões da entidade. Interessante observar na nota do escritório de Teles, rabiscado a lápis, consta o nome Napoleão. A pergunta que não cala: quem é Napoleão?

 

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