Aumento na oferta global, incerteza no mercado e pressão de Trump sobre Opep desacelera cotação do ouro negro; Leia mais:

O petróleo Brent fechou a cotação nesta terça-feira (13)  em US$ 65,47, a maior perda de um dia desde julho. A cotação desvalorizou 25% desde outubro, ficando agora em níveis que não atingia desde março.

A desaceleração se intensificou nesta terça-feira (13), também com os futuros norte-americanos sofrendo sua maior perda em um dia em mais de três anos.

Em seu relatório mensal, a Opep afirma que a demanda mundial por petróleo no ano que vem aumentará em 1,29 milhão de barris por dia (bpd), 70.000 bpd menos que o previsto no mês passado e o quarto corte consecutivo de previsão.

A produção, no entanto, aumentou em 127.000 bpd, para 32,9 milhões de bpd, segundo a Opep.

OPEP DEFENDE CORTE NA PRODUÇÃO PARA REEQUILIBRAR PREÇO

O ministro da Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, explicou na segunda-feira (12) que a Opep concordou que há uma necessidade de reduzir o fornecimento de petróleo no próximo ano em cerca de 1 milhão de barris por dia a partir dos níveis de outubro para evitar excesso de oferta.

Mesmo com os sauditas prometendo reduzir a oferta, a produção dos EUA chegou a 11,6 milhões de bpd na semana mais recente, um novo recorde.

A Rússia deu sinais contraditórios sobre um corte, com o chefe-executivo da Lukoil, Vagit Alekperov, dizendo na segunda-feira que não necessidade de cortes.

“Eles não conseguem se decidir por uma redução ou não”, disse Bob Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho. “Esses companheiros estranhos não parecem mais estar na mesma cama.”

EFEITO TRUMP E CONTRATOS MUDANDO DE MÃOS

O mercado está sofrendo reflexos da preocupação com o enfraquecimento da demanda global e o excesso de oferta.

Os futuros dos EUA fecharam em queda de 7,1%, para o recorde de 12ª queda consecutiva e o menor desde novembro de 2017. Mais de 980.000 contratos mudaram de mãos, com os fundos perdendo posições.

“É como uma corrida ao banco”, disse Phil Flynn, analista do Price Futures Group em Chicago. “Está chegando ao ponto em que não parece ter relação com os  fundamentos, mas um colapso total no preço,”

TWITTER DO “CACHORRO LOUCO” É UMA MORDIDA FEROZ

Traders avaliam que a cotação foi uma extensão da segunda-feira e que foi desencadeada depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, postou um tweet pressionando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo a não cortar a oferta para sustentar os preços.

O tweet de Trump seguia os relatórios de fim de semana de que a Arábia Saudita estava considerando um corte de produção na reunião da OPEP em dezembro, com o aumento do alarme de que a oferta começou a superar o consumo.

Os especuladores recuaram em apostas pesadas em um rally de petróleo, um processo que continuou na terça-feira, disseram traders. Desde a semana passada, os fundos de hedge e outros gestores de recursos reduziram sua posição comprada em contratos de petróleo para o menor nível desde agosto de 2017.

Os traders também acreditam que a queda recente no mercado de ações tem alimentado preocupações sobre o crescimento global, o que estaria contribuindo para o declínio do petróleo.

*Agência VIU! com Reuters

 

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