Variação de preços, escassez de combustível e o esgotamento das jazidas de xisto nos EUA; Entenda o que acontecerá no mercado do ouro negro:

*Reportagem Especial

Estudos estratégicos do governo da Rússia para economia mundial a longo prazo, avalia o preço médio do barril de petróleo variando entre US$ 50 e US$ 55. A tendência, segundo esses estudos é de queda para o ouro negro.

Mas especialistas ocidentais, que também apostam em queda na atual conjuntura, alertam para uma inversão de curva na próxima década, quando, segundo eles, o combustível estará escasso e se tornará muito mais caro.

Pré-Sal já concentra maior produção de petróleo no Brasil – Fonte: TVBrasil-Youtube

O PLANEJAMENTO DE LONGO PRAZO DO GOVERNO RUSSO

Na quinta-feira (22), o governo russo adotou um plano de desenvolvimento econômico e social a longo prazo, isto é, até o ano de 2036. O documento foi elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento Econômico. A tendência principal neste período, segundo os especialistas governamentais, será a redução dos preços do petróleo.

O Ministério das Finanças e o Banco Central da Rússia também tornaram públicas suas expectativas, que coincidem com o conteúdo do planejamento estratégico.

ANALISTAS OCIDENTAIS AVALIAM COTAÇÃO DO BARRIL EM US$ 64

Enquanto isso, os analistas ocidentais falam igualmente sobre a possível a redução dos preços. Por exemplo, se o banco JP Morgan Chase anteriormente prognosticava o preço médio anual de 83,5 dólares por barril, agora o baixou para 73 dólares.

Já em 2020, na opinião da entidade, o valor atingirá 64 dólares. Isto, porém, continua bem acima dos preços previstos pelo governo russo.

O QUE PROVOCARÁ ESCASSEZ DE PETRÓLEO

Entretanto, a médio e longo prazo os prognósticos se diferenciam. O banco internacional de investimentos Goldman Sachs, por exemplo, adverte que, nos meados da década que vem, a economia global se deparará com um déficit de petróleo e os preços vão aumentar drasticamente.

O problema consiste em que, devido à queda dos preços nos últimos cinco anos, as empresas petrolíferas em todo o mundo reduziram seus investimentos na exploração de novas jazidas, enquanto as antigas já não são capazes de satisfazer a demanda crescente.

“Muito poucas empresas petrolíferas podem se dar ao luxo de investir plenamente na exploração de novas jazidas de petróleo, por isso na década de 20 o mundo enfrentará uma evidente escassez física de petróleo”, assegurou o chefe do Departamento Europeu de Pesquisa Energética do Goldman Sachs, Michele Della Vigna, em uma entrevista recente à emissora CNBC.

INDÚSTRIA DE XISTO NÃO CONSEGUIRÁ ATENDER A DEMANDA, DIZ AGÊNCIA

A Agência Internacional de Energia também adverte contra o risco de escassez significativa deste combustível no mercado internacional em meados da próxima década.

Extração de petróleo nos EUA | Foto: Reprodução

O órgão frisa que a indústria de xisto não irá ajudar, pois para evitar a escassez seria preciso aumentar a exploração deste tipo de commodity em 10 milhões de barris por dia, o que é quase impossível.

Atualmente, a indústria de xisto dos EUA está vivendo dificuldades sérias. Segundo a opinião dos especialistas da empresa de pesquisa Wood Mackenzie, a produtividade das jazidas norte-americanas está se reduzindo a ritmos acelerados.

Como consequência, os operadores norte-americanos são obrigados a aumentar os ritmos de exploração a cada ano, ou seja, fazendo crescer as despesas e mantendo o mesmo nível de produção.

Além disso, os especialistas acreditam que as jazidas de xisto se esgotam muito mais rapidamente que as comuns.

TEMPO DE VIDA DAS JAZIDAS NORTE-AMERICANAS

O Goldman Sachs destaca que no ano passado o ramo viveu um boom extraordinário de produtividade, porém, este ano tem diminuído muito, bem como os volumes extraídos.

“Desse jeito”, opinam os especialistas do banco, “até o ano de 2020 a indústria de xisto nos EUA vai crescer anualmente em um milhão de barris por dia. Mas, até 2025, provavelmente entrará em queda”.

*Sputnik News

 

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