Uma parcela da sociedade brasileira clama pelas baionetas, mas no Brasil dificilmente haverá intervenção militar;

A recente greve dos caminhoneiros mostrou que o brasileiro anseia por intervenção das Forças Armadas. É a falsa crença de que os homens de farda personificam figuras messiânicas, que uma vez revestidos de poder político, debelariam a corrupção e todos os males que afrigem o dia-a-dia de um país em crise econômica e moral.

O “salvador da pátria”, no entanto, não virá. Ruptura institucional já foi testada pelas Forças Armadas em 1964. A chamada “revolução” para os militares e “golpe” para os adversários foi implantada para durar pouco tempo, mas virou um pesadelo que perdurou por 25 anos, custando vida de oponentes políticos, desaparecimentos e censura à imprensa. A ditadura em seus estertores, na década de 80, caiu de podre também afetada por crise econômica (com direito a greve de caminhoneiros), denúncias de corrupção e impopularidade. VÍDEO:

Fonte: Canal VIU! – Youtube

Foi um equivoco histórico que custou caro a imagem das Forças Armadas, de forma que figuras que integram o comando do Exército avaliam cautelosamente as manifestações apaixonadas que contagiam uma parcela considerável de brasileiros. É voz corrente entre militares que o melhor caminho, em 64, seria deixar a sociedade amadurecer por meio do ambiente democrático. E que o melhor caminho no atual momento é manter-se distante das tentações das ruas.

Tomada do poder pela força representaria um isolamento no cenário internacional, porque nações democráticas dificilmente conviveriam com um incidente desta magnitude. Michel Temer que o diga, pois desde que tomou o poder via golpe parlamentar, respaldado pelo Supremo Tribunal Federal, tornou-se uma figura decorativa no plano internacional. O golpe, não apenas isola, mas também apequena.

Truculência institucional é inadequada, entre outras evidências, pelo fato da corrupção made in Brasil não ser exclusividade do segmento político. Esta praga está entranhada no Judiciário, Ministério Público, demais órgãos de controle externo e no seio da própria sociedade, que já banalizou esta prática no cotidiano, seja cometendo infrações mais simples ou tolerando condutas mais graves. A salvação do Brasil, portanto, é um remédio a ser aplicado pela própria sociedade, ao repensar seus os atos do cotidiano e, ao mesmo tempo, funcionar como mecanismo de pressão. País que tem uma sociedade boa e forte dificilmente conviverá com governantes e órgãos de controle externos moralmente deformados.


 

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