Seguindo os compassos da doutrina ultraliberal, o governo Bolsonaro nascerá impondo mais competição e menos solidariedade; Leia mais e entenda:

Segundo citação do filósofo Heráclito: “Tudo repentinamente se transforma em seu contrário. Ou seja, o relâmpago governa o universo”. Palavras adequadas para ajudar na interpretação do conturbado tempo presente.

Medida em dólares constantes, a participação brasileira na economia mundial representava 3,6% em 2011(ponto inicial do ajuste imposto pelo governo Dilma), mas deve cair para apenas 2,2% em 2022, mesmo se a economia voltar a crescer 3%, ao ano, a partir de agora, aliás, fato muito improvável devido à conjuntura internacional de reversão cíclica (queda), guerra comercial e conflitos bélicos. Isso, por si só revela-se preocupante numa sociedade com 12% de desocupados. Em contrapartida, os países emergentes (China, México, Chile, etc.) estão crescendo, em média, 6% ao ano.

Com a nova orientação econômica ultra liberal (escolhida legitimamente num processo eleitoral controverso), o mais provável é uma trajetória de crescimento que permita voltar ao valor, em dólar, do Produto Interno Bruto vigente em 2011, apenas em 2025 aponta um estudo pormenorizado do banco BBVA. A nova orientação que se impõe, através do voto popular, supõe a lógica da concorrência do mercado como princípio básico atravessando todas as esferas da existência humana, e se estendendo a todas as atividades, instituições e relações sociais. Ou seja, mais competição e menos solidariedade, como forma de adequar o custo Brasil aos ditames internacionais.

Recorrendo à Wikepédia constato que “dá-se o nome de desenvolvimentismo a qualquer tipo de política econômica baseada na meta de crescimento da produção industrial e da infraestrutura, com participação ativa do estado, como base da economia e o consequente aumento do consumo. A sua primeira forma, final do século XVIII e depois nos séculos XIX e XX, é também conhecida como nacional-desenvolvimentismo. Na América Latina o nacional-desenvolvimentismo foi executado a partir dos anos de 1930”. No Brasil teve origem com Getúlio Vargas e foi aplicado tanto por regimes autoritários, quanto na vigência da democracia liberal. Entre 1930 e 1980, a economia brasileira crescia 7% ao ano, em média, e tornava-se uma das mais sofisticadas economias industriais.

Um Brasil novo está nascendo, na “complexidade do momento”, como disse o compositor Caetano Veloso. Porém, nenhuma alternativa, nenhum campo novo de rearticulação, poderá nascer da polarização dos medos, mas apenas o realce do instinto de sobrevivência e o entrincheiramento, com o já estabelecido, aliada às paixões tristes.

“Em política, toda a poesia é uma mentira à qual a consciência se recusa”. (George Sand – poeta). Vida que segue…

 

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