Autopecas24

A elite econômica mundial que atualmente briga por petróleo já está de olho no manancial de água do Aquífero Guarani;

Desde os tempos imemoriais há uma hierarquia no jogo do poder econômico, político, cultural e militar em escala planetária. O topo é dominando por países que detém tecnologia de ponta, capital produtivo (bens de capital),  capital bancário, grandes centros de ensino e pesquisa  e o domínio das matérias primas estratégicas (petróleo, água, alimentos, minerais, terras raras), ao redor do mundo – ainda que a base de guerras híbridas ou convencionais. Na outra ponta, a grande periferia importa capitais, paga royalty pelo uso das tecnologias exporta matérias primas e produtos de baixa/média complexidade e dispõe de um excedente de força de trabalho remunerado abaixo do seu custo de reprodução.

Em cada base territorial de um país, a elite econômica e do dinheiro detém os meios sociais de produção e o controle político do Estado. A alta classe média é composta pela pequena burguesia remunerada nos negócios da construção civil, mercado imobiliário, comércio e serviços; membros da alta administração do setor público e profissionais liberais.

Na base temos a baixa classe média e os assalariados que garantem sua sobrevivência, através de um trabalho duro diuturnamente enfrentando a precariedade do transporte coletivo, a carência do sistema público de saúde e morando nas áreas periféricas sujeitas à criminalidade e à violência do dia a dia. Os trabalhadores da massa marginal  envoltos na informalidade são encarregados dos serviços domésticos, segmentos de baixa produtividade, subempregados, camponeses de pequenos lotes de terra, vendedores ambulantes e até atividade ilícitas.

Nesse contexto, o aprofundamento da austeridade fiscal vem surtindo impactos funestos sobre o tecido social da debilitada democracia brasileira. Segundo dados da Pnad Contínua do IBGE, no primeiro trimestre de 2018 a taxa de subutilização da força de trabalho subiu para 24,7%, o que representa 27,7 milhões de pessoas. Essa é a maior taxa de subutilização na série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. O contingente de subutilizados também é o maior da série histórica. Bahia (40,5%), Piauí (39,7%), Alagoas (38,2%) e Maranhão (37,4%) apresentaram as maiores taxas de subutilização; as menores taxas foram em Santa Catarina (10,8%), Rio Grande do Sul (15,5%), Mato Grosso (16%) e Paraná (17,6%). A taxa de desocupação do primeiro trimestre de 2018 no Brasil, divulgada em 27 de abril, foi de 13,1%.

Assim, há 13,7 milhões de desempregados no país. O número de pessoas desalentadas em relação ao emprego é de 4,6 milhões; 6,1 milhões de trabalhadores estão empregados, mas gostariam de trabalhar mais horas; e 5,3 milhões de pessoas estão em busca de emprego há um ano ou mais.

Em relação à pobreza e extrema pobreza, por exemplo, levantamento da ActionAid Brasil indica que nos últimos três anos — 2015-2017 — o país voltou ao patamar de 12 anos atrás no número de pessoas em situação de extrema pobreza. Ou seja, mais de 10 milhões de brasileiros estão nessa condição (veja o gráfico abaixo). Isso nos leva a crer que aquela correlação pobreza versus fome sugere fortemente que a gente já está, neste momento, numa situação ruim, que deve aparecer com os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares — POF/IBGE  — do final de 2018.

Vivemos tempos de guerra híbrida, ao sul do equador. A ONU prevê que, no ritmo atual, as reservas hídricas do globo reduzirão 40% até 2030, o que deverá provocar uma “guerra pela água” no mundo. Os EUA e a Europa enfrentam grave problema de falta de água. É neste contexto que tem também que ser entendido o conflito político no Brasil e demais países sul-americanos. Tudo indica que um dos interesses dos países líders do capitalismo mundial é se apropriar do Aquífero Guarani, maior reserva subterrânea de água doce do mundo. O Aquífero que está localizado na parte sul da América do Sul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) coloca a Região como detentora de 47% das reservas superficiais e subterrâneas de água do mundo.

No mundo onde prevalece a carência, a fome e a ignorância manda quem pode, e obedece quem tem prejuízo, mas pode apenas espernear. E assim caminha a humanidade.

Veja Também


 

Comentários

comentários