As propostas e os candidatos que tentam afagar a esperança de milhões de brasileiros desempregados e espremidos pelo fracasso de Temer;

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser. As palavras de Camões traduzem um tempo que deveria ser de rupturas, mas parece mais de conservadorismo. Segundo o TSE, dos 147 milhões de eleitores brasileiros, cerca de 40% são ou analfabetos, ou somente sabem ler e escrever, ou não completaram o ensino fundamental.

Nesse contingente está a grande maioria da população decepcionada pela perda de padrão de consumo, desemprego, alta informalidade e percepção dos fenômenos mais pela emoção e menos pela concretude da razão. Nesse contexto temos um quadro confuso na formação das chapas para a eleição que se aproxima.

A chapa da esquerda conciliadora une o Partido dos Trabalhadores e o PCdoB numa proposta reformista/desenvolvimentista. Mas não fica por aí, tem também a chapa militar do candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, a chapa do Bem Viver/New wave da seringueira Marina Silva com o PV, a chapa Matusalém de quase 150 anos dos tucanos, a chapa da diversidade de gênero do PSOL, a chapa nordestino/nacional desenvolvimentista/ ruralista do PDT e a chapa emedebista liderada por um banqueiro que propõe felicidade a juros módicos.

Ia me esquecendo, que há também a chapa da Lava Jato representada pelo partido Podemos. Neste quadro, a consultoria que assessora ricos e poderosos (Eurásia) já compreendeu que o jogo ficou completamente incerto e aberto.

As pesquisas de opinião que atestam a baixa legitimidade do governo Temer e a insatisfação com o padrão de vida, de mais de setenta por cento dos eleitores revela um eleitor médio querendo votar num político honesto, em contraposição ao quadro atual da representação considerada corrupta. Um choque de autoridade, sem autoritarismo. Uma mistura de self-made man, com “salvador da pátria” e defensor da família e da propriedade (esta última um privilégio de pouquíssimos). Ao mesmo tempo espera um ser rebelde que reproduza o melhor do “lulismo reformista”, na forma do emprego formal e gasto social. Nas plataformas disponíveis qual chapa acima se enquadra?

Algumas candidaturas vão tentar vender o céu em suaves prestações, contudo, a realidade nua e crua mostra um Estado transferindo para rentistas anualmente, quase R$ 400 bilhões de reais, na forma de juros da dívida pública e travando a capacidade de investimento em infraestrutura econômica, ambiental e social. Nossa colocação internacional nesse item é prá lá da septuagésima. Portanto, a depreciação supera o estoque de oferta de estradas, saneamento básico, energia e transportes. Cálculos recentes mostram que 4% do PIB investidos nestes setores básicos gerariam 350 mil vagas formais de empregos. Coisa mais do que urgente na terra da jabuticaba.

Segundo a sabedoria popular: “azeite de cima, mel do meio e vinho do fundo, não enganam o mundo. Em tempo de guerra não se limpam armas. E gato escaldado de água fria tem medo de tudo”. É daí que virá a decisão nesse confuso 2018.

 

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