Secretaria de Ciência e Tecnologia drenava pelo menos R$ 50 mil mensais para alimentar o propinoduto, diz delator na Lava Jato;

Demorou, mas o furacão “Sérgio Cabral” chegou na Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. É que na noite desta segunda-feira (18), diferentes veículos das Organizações Globo começaram a divulgar partes da delação premiada de um dos principais “operadores financeiros” do esquema criminoso do ex-(des) governador que colocou vários medalhões das gestões de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão no centro das investigações sobre cobrança de propinas de empresas contratadas para prestar serviços na pasta.

Segundo o que foi declarado por Carlos Miranda, os pagamentos de propinas eram divididos na forma de 2/3 sendo repassadas para o então secretário Alexandre Cardoso (na época no PSB), que  permaneceu na Sect até assumir a prefeitura de Duque de Caxias, em 2013, e o restante era repassado para Sérgio Cabral.

Carlos Miranda informou ainda que o esquema permaneceu funcionando também com o ex-secretário e atualmente deputado estadual Gustavo Tutuca (MDB já durante o mandato do (des) governador Luiz Fernando Pezão.  Miranda envolveu ainda em sua denúncias, o ex-vice presidente da Faetec, Erley Magalhães, que cumpriria o papel (lamentável) de recolher as propinas cobradas das empresas prestando serviços na instituição.

Como servidor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) há mais de 20 anos não posso deixar de ficar indignado com a confirmação de um esquema dentro da secretaria, do qual se falava bastante nos bastidores. E, mais, também causa indignação saber que hoje as universidades e escolas técnicas se encontram em condição pré-falimentar e incapacitadas de cumprir suas funções estratégicas justamente por causa de um esquema de corrupção que beneficiou a um número muito pequeno de pessoas.

Também é preciso apontar que ao longo desses períodos, diversas denúncias foram apresentadas ao Ministério Público Estadual em Campos dos Goytacazes em relação a contratos cujos preços eram, no mínimo, estranhos.  Lamentavelmente, a imensa maioria dessas denúncias não prosperaram,  sendo solenemente arquivadas. Agora, com o o aparecimento das denúncias de Carlos Miranda é de se esperar que algumas dessas denúncias sejam revistadas.

 

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