Guerra urbana de Macaé é um reflexo da política de segurança do Estado, que sempre tratou a violência na região com paliativos;

É um equivoco restringir a guerra urbana de Macaé, no Norte Fluminense, à política administrativa do governo local. Segurança é uma atribuição do governo do Estado, que sempre tratou o tema na cidade, assim como em toda região, com paliativos. O município, na verdade, é um mero coadjuvante.

No que se refere aos investimentos em segurança pública, Macaé nunca recebeu das autoridades estaduais uma contrapartida compatível com a riqueza gerada na produção de petróleo e os respectivos impactos sociais, ambientais e no setor de infraestrutura que enfrenta ao longo de 40 anos de existência da Bacia de Campos. Pasme, mas este município na gestão Silvio Lopes já emprestou dinheiro ao governo estadual.

Com a recente falência financeira do Estado, o distanciamento da política de segurança se aprofundou. O município foi obrigado a assumir uma carga bem maior de atribuições, como, por exemplo, a construção de uma Delegacia de Homicídios, obra prevista para ser iniciada ainda este ano. Depois de concluída com recursos da Prefeitura, o prédio será disponibilizado para a secretaria de Segurança Pública. Não é a primeira vez que o município é obrigado a assumir o protagonismo quando deveria ocupar um papel secundário.

Há de se destacar que na condição de polo econômico, Macaé exerce uma atração natural para o tráfico de entorpecentes, negócio que segue a cartilha capitalista. Os senhores do crime trilham a rota do consumo. Outro fato que não deve ser desprezado é o efeito colateral das ocupações de favelas no Rio de Janeiro. Para fugir ao cerco das autoridades, os bandidos migram para o interior. Em tempos recentes, vários líderes de facções criminosas do Rio e até mesmo da região Norte do país, foram presos em cidades da Região dos Lagos.

O problema não se resume a uma única cidade petrolífera. A guerra urbana também é latente em outros municípios petrorrentistas. Em Campos dos Goytacazes, que até o ano passado era apontada como a cidade mais violenta do Estado do Rio e uma das mais violentas do país, a facção criminosa Amigos dos Amigos trava uma disputa com o Terceiro Comando Puro (TCP) pela hegemonia do comércio de drogas. Esta guerra começou desde que duas comunidades, Baleeira e Tira-Gosto, que respectivamente estavam alinhadas com o Comando Vermelho e Amigos dos Amigos (ADA), se unificaram e aderiram ao TCP. Nesta cidade, segundo relatos, um presídio inteiro está destinado ao confinamento de bandidos da ADA, a maior parte transferido do Rio de Janeiro. Em São João da Barra, terra do Porto do Açu, o índice de violência é alarmante.

A conclusão é óbvia: longe da ocupação do Exército, o interior do Estado do Rio é um barril de pólvora, só que em Macaé o paiol, mais uma vez, explodiu de forma visível.

 

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