O orçamento público brasileiro está disponível para uma elite muito bem representada e responsável pelo propalado descalabro fiscal;

Na sociedade contemporânea, as disputas em torno do orçamento (fundo público) se apresentam como momentos cada vez mais importantes da luta política e eleitoral. Em termos concretos as perguntas básicas são: quem abastece o fundo público pagando impostos? E qual é a destinação dos seus recursos? Em outras palavras: afinal, quem custeia a quem recebe o dinheiro do orçamento na forma saúde, previdência, educação e cultura?

Em 2017, por exemplo, os subsídios e incentivos fiscais pagos pela União totalizaram 355 bilhões de reais (5,4% do PIB nacional) beneficiando a indústria automobilista, empresas com acesso ao crédito mais barato do BNDES, entidades filantrópicas, faculdades particulares e outros setores. Outro tanto dos recursos escassos oriundos de caríssimos impostos destinam-se aos rentistas (empresas superavitárias, bancos fundos, seguradoras e pessoas físicas de classe média). Portanto, o pleito de outubro põe em disputa aberta essa captura e suas conseqüências sócias e econômicas.

Ao que parece, o propalado descalabro fiscal não é culpa do povão, mas de uma elite muito bem representada no estado brasileiro. Lembrando ainda que o gasto anual em Saúde Pública (hoje em estado precário) não atinge R$ 100 bilhões por ano e o Programa Bolsa Família não custa 30 bilhões de reais.

No cenário internacional são tempos de “aversão do risco” nos mercados emergentes. No centro desse movimento encontra-se a preocupação também crescente com as conseqüências dos conflitos comerciais entre EUA e China e a paulatina aceleração das taxas de juros praticadas pelo FED americano.

O atento Citi Bank considera, em suas projeções, o risco de saídas de capitais de países como Argentina e Brasil. Nesse contexto segue firme a trajetória de alta do dólar, em relação ao real, de magnitude incerta diante de uma campanha eleitoral que ganha contornos novelescos e até policialescos.

Até o momento, o debate é rasteiro e os candidatos propondo austeridade, numa sociedade magoada pelo desemprego altíssimo, pela crescente insegurança urbana e maltratada pelas políticas públicas de baixa qualidade patinam na pista. Contudo, o poderio político e financeiro da “malta” que comanda o jogo é grandes e fortes emoções ainda podem acontecer no país do futebol, aliás, tão bem retratado por Glauber Rocha em “Terra e Transe”.

 

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