As diferenças entre a burguesia brasileira, atrasada e entreguista, e as poderosas e sofisticadas burguesias dos países centrais;

Foto: Esquerda Caviar

No intuito de melhor caracterizar e interpretar os dilemas históricos das economias latino americanas, autores como Ernest Mandel e Andre Gunder Frank estabeleceram a diferença entre as poderosas burguesias dos países centrais: estruturadas, imperialistas, tecnologicamente refinadas, em relação às burguesias periféricas, subdesenvolvidas, semi-coloniais, caóticas, enfim: lumpen-burguesias (burguesias degradadas).

Este conceito refere-se, no país da jabuticaba, a uma classe semi-colonial atrasada. Presenciamos hoje no seio de nossa sociedade, personagens que insistem e leiloar, a preço vil, nossas riquezas minerais e nosso enorme potencial de mercado interno.

Predomina hoje a nociva hegemonia da casta financeira que transforma completamente a natureza das elites econômicas do planeta, mediante a desregulamentação de vários setores. Predomina uma visão curtoprazista, do lucro rápido e fácil, baseado em dinâmicas predadoras, produzindo velozes concentrações de rendimentos tanto nos países centrais, como nos periféricos, aprofundando marginalizações sociais e, por conseqüência, intensificando a deterioração da representatividade da classe política.

Tudo isso se agravou, a partir da crise financeira de 2008, confirmando a existência de uma lumpen-burguesia global dominante (resultado da decadência sistêmica geral), cujos hábitos de especulação e saqueio de riquezas dão a tônica do momento atual.

Nesse contexto, observamos o quanto está sendo difícil convencer a população a votar este ano em candidatos que declaram a intenção de retirar direitos sociais, promover contrações monetárias, praticar juros altos, reduzir impostos para os mais ricos e atacar os sindicatos representativos. A malta de “gestores” que controla as políticas públicas centrais no aparato do Estado propõe corte de gastos e austeridade para conter o orçamento das áreas sociais. Sugerem a privatização e a desnacionalização das riquezas nacionais, confundem desemprego com fracasso individual e não atacam as causas reais dessa chaga social.

Supor um modo de vida, onde o ser humano é apenas empresário de seu capital humano (um empreendedor), mas onde o setor financeiro comanda o jogo com um Banco Central separado do poder político popular, com altos funcionários formando uma oligarquia e ainda com a destruição midiática do prestígio político dos adversários incômodos, tudo isso não contribui para construir uma nação soberana.

Para parte dessa elite predatória, o problema não é desigualdade social infame, mas sim a corrupção. A pergunta que fica é até quando isso vai prevalecer…

 

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