Guerra nas comunidades, incêndio de coletivos e toque de recolher em toda cidade: o crime mostra quem manda em Macaé-RJ;

*Por Alberto Murteira

Mas que demonstração de poder. Isso que é poder! Fechar o comércio em menos de uma hora em plena terça-feira (9), botar literalmente todo mundo para correr e se esconder. Verdadeira humilhação aos cidadãos de uma “rica” cidade que leva a alcunha de “Cidade do Petróleo”, ou até de “Cidade do Futuro”, como alguns preferiram chamar, no auge da farsa que engambelou um país inteiro e atraiu gente do Oiapoque ao Chuí para aqui fazerem suas vidas e depositarem seus futuros, que, diga-se, se tornaram mais incertos do que nunca.

Nas barbas de tudo o que Macaé tem – uma miniatura de um país, com um quartel do Exército, as três polícias, MP, OAB, quatro lojas maçônicas e mais o escambau -, criminosos mostraram que são eles que mandam no pedaço (este pedaço de mau caminho que se tornou a Princesinha do Atlântico). Viraram tudo de pernas para o ar, mandaram no dia, largaram o aço, deixaram um lastro de sangue e violência em poucas horas, e ainda fizeram churrasco de cinco ônibus da única empresa que presta (mau e porcamente) o serviço de transportar cidadãos como sardinhas enlatadas.

Realmente isto que é poder! Poder real e imediato, do tipo que deixa todos em suspense, como o mundo ficou depois que os americanos bombardearam Hiroshima e Nagasaki. Mantendo-se as devidas proporções, com o “bombardeio” de ontem (terça-feira) eles colocaram em xeque não só a segurança pública, mas todo o poder público, todo o establishment local, e, sem sombra alguma de dúvida, cada um de nós.

Macaé se consagra como a “Cidade do Crime”. Aqui se praticam com sucesso todos os tipos de crimes, desde crimes ambientais, assaltos comuns, assassinatos, estupros e depredações, até os altamente rentáveis (tráfico de drogas) e o mais hediondo de todos: a corrupção na esfera política e administrativa, cujos efeitos são os mesmos de um lento, porém cruel, holocausto.

E assim tal como a “mente vazia é oficina do Diabo”, uma cidade onde suas autoridades, governantes e legisladores pecaram por atos e por omissões, é oficina da desgraça, da miséria, da insegurança total, do desrespeito absoluto ao cidadão e, enfim, à figura humana. Continuem, pois, batendo palminhas para seus políticos favoritos, tirando leite de pedra para afirmar que um ou outro teria governado e feito alguma coisa por Macaé, que é graças a esta infeliz inocência (ou presença de malícia) que estamos todos apodrecendo junto desta seara decadente, desta carcaça que um dia foi, há muito tempo, em uma galáxia distante, um lugar decente para se viver.

 

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