Esses tempos de poder soberano e mobilidade da fortuna de grandes oligarcas mundiais, faz lembrar “A Marcha da Insensatez”, de Barbara Tuchman;

A risada e o choro emanam do mesmo ponto nas profundezas da alma. Faço esta afirmativa para lembrar um livro seminal. Nesta publicação, Barbara Tuchman denominou “marcha da insensatez”, as situações em que nações se deixam cegar por um trágico surto de estupidez coletiva, agindo alegremente contra seus próprios interesses. Situações como o ataque japonês a Pearl Harbor em 1942, a guerra do Vietnã nos anos 60/70 estariam nesse patamar de cegueira. No tempo presente, a guerra comercial entre EUA e China (que mexe com o dinamismo dos negócios em escala planetária) estaria nesse patamar.

Vivemos tempos do poder soberano da plena mobilidade da riqueza dos grandes oligarcas do mundo. Ambiente, onde as grandes decisões que cabiam às instâncias da política democrática passaram ao comando daqueles atores que dominam a circulação do dinheiro entre as praças financeiras (capital fictício) globalizadas, com apoio de uma mídia. Esta união estratégica molda as concepções do “homem livre”, a respeito dos mistérios da economia política. Nesse ambiente, o dólar americano comanda 80% das transações nas 24 horas do dia.

E nesse contexto, se instalou a superação/eliminação gradativa  do Estado fiscal/social  (com justa tributação e serviços públicos de qualidade), substituído pelo Estado da dívida crescente e incontrolável (que rende juros fabulosos para uma minoria) e chegando ao estágio atual da busca da austeridade, a qualquer custo. Isso contrasta com a necessidade de um crescimento econômico mínimo, para permitir a absorção do contingente de mão de obra jovem que adentra ao mercado de trabalho evitando um conflito social (um mal estar) de grande envergadura.

Este “desastre ocupacional” no Nordeste brasileiro, por exemplo, foi medido pelo pesquisador Felipe de Holanda com base na PNAD/IBGE. Do primeiro trimestre de 2015 ao primeiro de 2018, a região viu fechar quase 2 milhões de vagas, com um encolhimento de 7,6% no mercado de trabalho. O Brasil como um todo viu sumir 1,4 milhão de postos, retração de 1,6%. Entre os motivos da devastação do mercado de trabalho no Nordeste, está o “esfacelamento” das obras públicas na região, como a paralisação da construção de refinarias da Petrobras e da ferrovia Transnordestina, entre outras. Um verdadeiro austericídio. Mais claro impossível.

Superar este estágio envolverá muita luta. Ou como diria a autora Simone de Beauvoir ao afirmar que: ”Uma moral implica, necessariamente, uma atitude política. E inversamente. A política tem vida”. Bingo!

 

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