Em Ação Popular, eletricista desempregado consegue liminar suspendendo aditivo de R$ 2,630 milhões no contrato entre prefeitura de Campos e Working;

Fabrício Ribeiro Batista é um eletricista desempregado, morador no bairro da Penha, na periferia de Campos dos Goytacazes, interior do Estado do Rio. Ele é autor da uma Ação Popular com pedido de tutela antecipada na 4ª Vara Cível da cidade, que melou o aditivo de R$ 2,630 milhões no contrato celebrado entre a empresa Working Empreendimentos e a Prefeitura local.

O dono da empresa, André Luiz de Souza Rodrigues, o Deka, é o delator que provocou a deflagração da Operação Caixa D’Água, a mesma que levou o ex-governador Anthony Garotinho, a esposa Rosinha Garotinho e mais sete pessoas para a prisão.

Na ação popular, o eletricista joga o Ministério Público e a própria Justiça contra a parede. Diz que o delator confessou a prática de crimes e diante do que considerou provas robustas, o juiz Glaucenir Oliveira autorizou a Polícia Federal a sair em campo para trancafiar nove personagens  O autor da ação, então, faz uma menção que deixaria “O Moleiro de Sans-Souci” (a personagem da célebre frase: “Ainda há juízes em Berlim!) de cabelo em pé:

Se as provas neste processo são tão robustas a ponto de justificar o cárcere para nove acusados, entre eles dois ex-governadores, porque o “delator premiado” não foi instado a fazer um acordo de leniência para devolver um pouco daquilo que confessa ter se apropriado do erário de forma criminosa? Inexplicável.

Ato contínuo, continuou livre, leve e solto para ganhar o aditivo. Tudo indica que o Prefeito da cidade Rafael Diniz (PPS) pouco ou nada soubesse no tipo de encrenca que a Working estava se metendo. A empresa tem notória especialização, é inegável, no tipo de serviço que presta: reforma e manutenção de escolas. Talvez, seja uma das melhores neste quesito. Mas a Justiça e o MP, que estavam tratando da encrenca, no mínimo deveriam ter se antecipado a observação arguta do pobre eletricista e proibido a empresa de contratar com o poder público.

Se por um lado alguém cochilou, por outro lado o juiz da 4ª Vara Cível de Campos, Rubens Soares Viana Júnior, por meio de uma liminar, acatou o pedido do autor da ação e suspendeu o contrato da Working com a Prefeitura. Mostrou que não há juízes apenas em Berlim. Ainda tem juízes em Campos.

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