O FMI prevê uma nova recessão internacional, enquanto isso na campanha sucessória do Brasil o debate é sobre costumes;

Para o filósofo Sócrates: “a vida irrefletida não vale a pena ser vivida”. Trazendo esta questão para a presente eleição temos de observar que a confiança tem um papel curioso na democracia: é importante que as pessoas confiem nas instituições, mas é importante que, em algum grau, desconfiem também. Principalmente, nas soluções aparentemente fáceis. Tal qual no mundo, no tempo presente, na terra da jabuticaba, o dinheiro é quem controla o processo democrático, não as pessoas.

Mas voltemos para a economia real. Segundo o FMI a única certeza no horizonte é que uma nova recessão internacional é inevitável. Enquanto isso, na terra da jabuticaba o debate sobre costumes domina a cena e a juventude formada não consegue emprego.

A estratégia petista neste segundo turno consistirá em colocar na mesa como alternativa uma obviedade. Os trabalhadores (hoje desempregados) querem trabalhar, e os patrões – hoje com dinheiro rendendo juros no giro da dívida pública querem voltar lucrar.

Neste contexto, uma saída possível é conciliar capital e trabalho. Ocorre que o almejado desenvolvimento econômico realizado por Lula no início da década passada, em boa medida, deveu-se aos anos de ouro de aumento continuado dos preços das commodities alimentares e minerais.

Esta “poupança externa” era o substrato necessário para por em prática políticas públicas de contenção da miséria e pobreza no país. Isso custa muito pouco ao orçamento público, mas hoje nem isso uma parte da elite considera possível de negociar Shakespeare em suas obras revelando a natureza humana nos auxilia na reflexão sobre distorções da alma, tais como o narcisismo, a incompetência, a crueldade, a paranóia, a loucura e a corrupção, através de personagens como Ricardo III, Macbeth, Coriolanus.

Todas estas questões são muito atuais nestes tempos de escolhas eleitorais na terra da jabuticaba. Ao longo dos debates, pouco se discutiu sobre o sofrimento real do cidadão médio brasileiro – obrigado a conviver com impostos altos e serviços públicos de padrão africano.

Convivendo com entes familiares desempregados e sem renda digna. Este cidadão que produz a riqueza da oitava economia do planeta vê-se atônito de viver numa terra tão rica, mas governada por elites tão arrogantes e insensíveis. Nesse contexto, apesar do brasileiro comum saber que a eleição não é, nem de longe, a festa da democracia decantada em prosa e verso, ou que uma eleição pode não mudar absolutamente nada, ele luta sempre para não desperdiçar seu voto e, mais uma vez, não se decepcionar. Avancemos, pois.

 

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