Debate sobre sexualidade e liberalização da maconha na 10ª Bienal de Campos faz ativista de extrema-direita sair do armário;

Há um ruído por conta programação da 10ª Bienal de Campos dos Goytacazes (RJ), norte fluminense, que acontecerá entre os dias 20 de 25 de novembro, no Instituto Federal Fluminense (IFF).

Um ativista, supostamente de extrema-direita, tenta incitar um boicote ao evento por conta de temas como sexualidade e liberalização da maconha, que estarão em debate.

São temas considerados tabus para os discípulos retardatários de um modelo de sociedade medieval, que sonha reflorescer no Brasil após o resultado da eleição de Jair Bolsonaro para a presidência.

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Bienal de Campos-RJ: Convocação de boicote por parte de um ativista de extrema-direita é fato isolado. É coisa de beato tocando bumbo para maluco dançar.

Publiée par Roberto Barbosa sur Samedi 17 novembre 2018

Fonte: Facebook

Nada de novo no front. Esse tipo de incitação contrária a cultura deu um último suspiro nos estertores da ditadura militar, quando conclamou um boicote as salas de cinema por ocasião do lançamento do filme Je vous salue, Marie (1986), dirigido por Jean-Luc Godard.

A exibição foi proibida pelo então presidente José Sarney em todo o Brasil, muito mais por demagogia do que propriamente em função da pressão religiosa. Atualmente as manifestações de censura têm ficado no campo das inúmeras tentativas, com apoio parciais de alguns juízes de primeira e segunda instância, e com derrota nos tribunais superiores.

No que tange a Bienal de Campos, esta radicalização individual inspirada na eleição do presidente Jair Bolsonaro é muito mais decorrência do surto de um oportunista do que propriamente uma manifestação ideológica.

Uma observação inicial demonstra que falta ao “paciente” conteúdo intelectual para contrapor o evento no campo das ideias, o que induz a percepção de que o seu extremismo é puro sintoma de carência afetiva.

Muita paciência e tolerância nesta hora. A pedagogia do ressentimento é efêmera. O evento literário (sem entrar no mérito da qualidade de sua programação), com sua essência plural e democrática, tem remédios naturais para acalmar um descompensado afoito em tocar bumbo para maluco dançar. Deixe ele passar.

 

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