Um governo impopular e odiado pelas ruas, um judiciário podre que só serve para sugar dinheiro público e uma mídia comprada com verbas oficiais: as ruas estão dando o troco; Leia Mais:

Foto: ABr

Temer foi uma quimera do mercado. Seu governo simplesmente nunca existiu. Com 96% de reprovação, segundo todas as pesquisas de opinião pública, não tem sustentação nas ruas. No Congresso sobrevive as custas de acordos espúrios com o que há de pior no cenário político brasileiro.

É o retrato desbotado de um presidente que não tem eleitores. É fruto de um golpe parlamentar, portanto, tem apenas cúmplices e feitores.

Michel Temer | Foto: ABr

Embora tenha iniciado com uma pauta setorial e restrita, sem alcançar as demandas da esmagadora maioria da população brasileira, a greve dos caminhoneiros – que já dura sete dias e paralisa o país – tem amplo apoio da população e tende a ganhar mais vigor, com uma paralisação de petroleiros já anunciada para os próximos dias. Entre os grevistas já se fala em negociar a renúncia de Temer. CONFIRA:

VÍDEO | Exército chega à base de greve dos caminhoneiro. Assista:

Publiée par Portal VIU sur dimanche 27 mai 2018

Que a classe a política (incluindo o campo de esquerda) não se deixe enganar. A fatura da sociedade está na mesa da figura mais visível do plano político, no caso, o presidente da República, só que a insatisfação é universal. Há um evidente crescimento do sentimento antipolítico, que se reflete no alto índice de tendência ao voto nulo e abstenção na eleição de outubro.

Os números são ainda mais abrangentes e atingem os senhores de toga, quando se constata que mais de 90% dos brasileiros também não confiam no Poder Judiciário. Um reflexo de que as pessoas estão fartas de financiar um poder perdulário, também maculado pela corrupção e muito mais sujeito ao compadrio do que propriamente a obediência à Constituição.

As ruas são emotivas e apaixonadas. A descrença na classe política e nos órgãos de controle externo fazem as Forças Armadas emergirem como tábua de salvação, muito embora esta experiência já tenha sido experimentada durante 25 anos. Contudo, a decepção favorece um apagão na memória e conduz as opções extremas e extravagantes.

Os quartéis estão por cima. No estágio que as coisas estão as Forças Armadas não precisariam perpetrar golpes para assumir o poder. Bastaria pedir as chaves do Palácio e no Brasil, de Norte a Sul, brotaria um carnaval fora de época. A sociedade ainda não entendeu que a salvação nacional não será pela vinda de um messias, mas por meio de uma sociedade exigente no processo de escolhas, consciente de direitos, dispostas a cumprir deveres e pró-ativa nas ruas. Uma sociedade boa sempre terá bom governo.

O momento no Brasil não é bom e as o cenário é ainda confuso quando se constata que as Forças Armadas representam o único núcleo com popularidade suficiente para implementar medidas duras. Sorte que estão desarticuladas e não entrariam nesta aventura.

 

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